Acordei muito cedo; Lisboa é muito barulhenta, comparada com Mataduços. Foi bastante contrafeito que permiti que se desfizesse a minha cama do sofá. Fiquei mesmo zangado, e fiz uma birra daquelas de ir ao chão quando vi o avô e a mami a rodar o sofá para a posição normal. A avó veio acudir-me explicando que eu ía ter uma outra caminha assim igualmente gira, no quarto do Ricardo, em Portimão. E lá me conseguiram levantar com novas promessas, desta vez que íamos ver girafas e elefantes.
Lá fomos, mas passámos pela casa da tia Guida que gostou muito da ideia zoológica que havia sido alinhavada na tarde anterior, no terraço dela. Eu ía muito bem disposto, cheio de vontade de ver os animais todos que eu conheço apenas dos livros, mas mesmo antes de chegarmos aos tigres (aqueles por onde íamos começar) deparei-me com um comboio que carregava os seus 24 passageiros para ir fazer um tour pelo Jardim. Eu pedi e pedi para ir no tu-tu mas a mami disse que o comboio ficava para o fim, coisa que eu não aceitei nada bem. Em boa verdade, o passeio pelo Jardim Zoológico foi, para mim, uma completa chatice: estava muito calor e a maior parte dos animais estava à sombra ou enfiada nas tocas ou poças de lama como no caso dos hipopótamos que me pareceram pedras de tão imóveis que estavam. Não quis ver as girafas, não liguei nenhuma aos leões, nem aos macacos, e não achei piada nenhuma aos cangurus.
Às 11h começava o espectáculo das focas e dos golfinhos e lá fomos todos arranjar um lugar catita. A performance das focas dura 3 vezes mais do que a dos golfinhos. Achei-lhes piada, mas já estava a ficar farto daquilo; só quando se soltaram os golfinhos e lhes mandaram dar os saltos fora de água é que eu fiquei estarrecido com aqueles grandes peixes tão habilidosos.
Como o prometido me é devido, sempre que me porto bem, lá fomos à procura do comboio. Sentei-me ao colo do avô, à frente e junto à porta, com visibilidade total. Quando aquilo começou a andar, sorri muito e assim fui até o comboio parar, depois de dada uma volta completa a todo o Jardim. Aceitei muito bem o fim da viagem; o maquinista deste comboio era uma grande senhora com ar de avó matrona, que tocava o sino do comboio com força e era quem nos mandava entrar e/ou sair, abrindo ou fechando as portas. Nem pensar em fazer birras com ela por perto! Percebi que agora íam outros meninos fazer o passeio e lá fomos embora, já a pensar em almoço. Quando chegámos ao carro e a Guida perguntou de que animal eu tinha gostado mais, eu respondi: Ahh… Tu-Tu!
Almoçámos no Magriço e, mais uma vez, enquanto o avô tratava do pagamento, eu, a mami e a avó viémos até casa lavar dentes, fechar persianas e preparar as coisas para a viagem. Partimos às 14h e pouco, apanhámos muito trânsito na entrada da ponte, mas foi esse pára-arranca que me embalou e me pôs a dormir. Não dormi aquilo que costumo nas minhas ricas sestas, mas aguentei relativamente bem o resto da viagem até Portimão.
Ainda antes de sair do carro a mami ligou para o papi e deixou-me falar com ele. Foi bom! Depois perguntei muito pelo papi, pelo tu-tu e pelo comboio dos meninos que é nada mais, nada menos do que o do Jardim Zoológico.
Fizémos o reconhecimento da casa, tomámos um banho de banheira cheia com barco e bombeiros, jantámos um peixinho bom, brinquei com o avô que entretanto me tinha oferecido uma mota e lá fui para a outra cama gira que me tinha sido prometida de manhã.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
1º dia: a chegada a Lisboa
A mami passou na escolinha, à hora da sesta, estava eu a fazer macacadas no berçário, a entreter as bebés. Disse-me que íamos para a casa do Ricardo, ver a avó e o avô, em Lisboa e que tinha um popó novo para mim. Era um Caislass cinzento! Partimos às 13:30 e fomos a cantar o abecedário por essas A17 e A8 fora. Adormeci uma hora depois, e dormi só uma hora. Quando acordei, íamos a passar por uns grandes moinhos e a mami ía mostrando os que rodavam sem parar e apontava para os que estavam avariados. Um pouco à frente vimos muitas casas e a mami disse: ali é Lisboa e está ali a casa do Ricardo.
Ainda não eram 16h quando estacionámos o carro na garagem, ao lado do do Ricardo. A avó estava à nossa espera, de porta aberta. Depois de mortas as saudades, de feito o reconhecimento da casa e de um lanche já com direito a bolo, brinquei um bocadinho com o avô, no terraço do Ricardo, com umas bolas de areia que este "guarda" ao lado da televisão. Também lá tem uma bicicleta de arame numa estante, mas nessa eu não pude mexer sem supervisão.
Fomos ver a avó Ina que me fez um grande cumprimento ainda sem saber quem eu era, ou melhor, que eu lhe era alguma coisa! Estivémos um bocadinho por lá, mas ela não nos prestou grande atenção. Lá ía dizendo que "os moços de agora são uns desenvencilhados" e que "dão todos ares uns aos outros: este, os da Inês, os da Sofia, são todos parecidos!"… A visita foi curta: a Guida tinha um saco para dar à mami e lá fomos a casa desta tia.
Eu fiquei muito impressionado porque não conseguia por os meus pés no chão sem tropeçar em alguma coisa. Nunca tinha estado num sítio tão apertado, onde correr é impossível e andar é uma tarefa difícil que só se consegue de mão dada, ou agarrado às paredes (se a alguma se conseguir chegar) ou ao colo de alguém. Como eu estava a ficar nervoso, a tia Guida deu-me um burro com pêlo e tudo e depois uma malinha com duas histórias do carteiro Paulo.
A mami ainda queria ir dar um beijinho à Ilda Maria que mora mesmo ali do outro lado da rua (em Lisboa não existe coisa chamada "o outro lado da rua" mas ok). Lá fomos, sob a premissa de que íamos ver o Beto, um cão cinzento, que me assustou muito ao saltar à mami, de boca muito aberta, fazendo-a quase cair comigo ao colo. Para me recompor, deram-me o berbequim do primo João para a mão e umas bolachas muito boas e loirinhas. Passado um bocado o Beto já estava mais calmo e eu até lhe deixei o berbequim ao lado, no chão, quando chegou a hora de nos irmos embora.
Fomos directos para a casa do Ricardo. A mami preferia meter o carro na garagem e jantar num sítio lá perto. O Magriço, em frente aos Estúdios do Lumiar foi onde jantámos, comigo sentado à mesa como um senhor, mas já muito cansado. Enquanto o avô ficou a pagar e a beber um café, eu a mami e a avó fomos para casa, preparar o nosso sono. Virámos o sofá verde do Ricardo para a parede, pusémos a almofada da cadeira branca a servir de colchão, fizémos uma cama à espanhola e lá fui eu, fazer paródia ainda durante uns 10 minutos, perguntando pelo papi à mami que estava a dormir no chão, mesmo ao meu lado.
Ainda não eram 16h quando estacionámos o carro na garagem, ao lado do do Ricardo. A avó estava à nossa espera, de porta aberta. Depois de mortas as saudades, de feito o reconhecimento da casa e de um lanche já com direito a bolo, brinquei um bocadinho com o avô, no terraço do Ricardo, com umas bolas de areia que este "guarda" ao lado da televisão. Também lá tem uma bicicleta de arame numa estante, mas nessa eu não pude mexer sem supervisão.
Fomos ver a avó Ina que me fez um grande cumprimento ainda sem saber quem eu era, ou melhor, que eu lhe era alguma coisa! Estivémos um bocadinho por lá, mas ela não nos prestou grande atenção. Lá ía dizendo que "os moços de agora são uns desenvencilhados" e que "dão todos ares uns aos outros: este, os da Inês, os da Sofia, são todos parecidos!"… A visita foi curta: a Guida tinha um saco para dar à mami e lá fomos a casa desta tia.
Eu fiquei muito impressionado porque não conseguia por os meus pés no chão sem tropeçar em alguma coisa. Nunca tinha estado num sítio tão apertado, onde correr é impossível e andar é uma tarefa difícil que só se consegue de mão dada, ou agarrado às paredes (se a alguma se conseguir chegar) ou ao colo de alguém. Como eu estava a ficar nervoso, a tia Guida deu-me um burro com pêlo e tudo e depois uma malinha com duas histórias do carteiro Paulo.
A mami ainda queria ir dar um beijinho à Ilda Maria que mora mesmo ali do outro lado da rua (em Lisboa não existe coisa chamada "o outro lado da rua" mas ok). Lá fomos, sob a premissa de que íamos ver o Beto, um cão cinzento, que me assustou muito ao saltar à mami, de boca muito aberta, fazendo-a quase cair comigo ao colo. Para me recompor, deram-me o berbequim do primo João para a mão e umas bolachas muito boas e loirinhas. Passado um bocado o Beto já estava mais calmo e eu até lhe deixei o berbequim ao lado, no chão, quando chegou a hora de nos irmos embora.
Fomos directos para a casa do Ricardo. A mami preferia meter o carro na garagem e jantar num sítio lá perto. O Magriço, em frente aos Estúdios do Lumiar foi onde jantámos, comigo sentado à mesa como um senhor, mas já muito cansado. Enquanto o avô ficou a pagar e a beber um café, eu a mami e a avó fomos para casa, preparar o nosso sono. Virámos o sofá verde do Ricardo para a parede, pusémos a almofada da cadeira branca a servir de colchão, fizémos uma cama à espanhola e lá fui eu, fazer paródia ainda durante uns 10 minutos, perguntando pelo papi à mami que estava a dormir no chão, mesmo ao meu lado.
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