
Com o papi por cá tudo mudou ligeiramente: a mami deixou de ser o meu refúgio e passou a ser a proscrita que dantes era papel desempenhado pela avó. O avô deixou de cavar tinieis e passou a conseguir estar deitado na toalha de praia a apanhar sol. O papi veio de férias para não ter descanso. Mas, de uma forma geral, tudo o que já se fazia continuou a fazer-se, birras inclusivé.
O papi encontrou um popó de rodas grandes igual aos do João Miguel de Aveiro e eu fiquei muito contente; finalmente tinha um verdadeiro todo-o-terreno para levar para a praia. Mas não satisfeito com esta minha felicidade foi comprar aquilo que andava a anunciar que me ía oferecer desde que eu nasci: um carro telecomandado. A mami diz que é o brinquedo do papi para eu ver como se brinca, mas o papi já me deixou conduzi-lo um bocadinho e sou sempre eu que o transporto. É grande e “pasado” e tem um senhor lá sentado e tudo!…
Despedimo-nos da avó Isaura velhinha. Joguei à bola com ela; as mãos dela tremem muito, mas eu punha-lhe a bola na mão e, aproximava-me muito dela para ela ma atirar de volta. Foi um pequeno jogo, de pequenos movimentos.
No domingo, dia 30, regressámos a Aveiro. Nas nossas 5 horas de viagem só dormi uma, mas consegui portar-me muito bem, para quem vai atado à cadeira sem poder mudar os entrefolhos de posição. Gostei de chegar a casa, de ver a nossa sala e adorei voltar a estar com os brinquedos que eu já não via há mais de um mês. Tomei muito bem o banho de chuveiro na banheira do papi e da mami que é muito maior que a nossa em casa da avó. Perguntei pelo barco; lembro-me que havia um barco nesta banheira da última vez que aqui tinha tomado banho.
No último dia deste grande mês de Agosto tomei o meu leite com flocos em casa. Antes de sairmos perguntei à mami pelos castelos e tive um ataque de saudades da casa da avó. Choraminguei, pedindo para irmos embora, para a casa da avó, acrescentando “a casa de aveiro não!”.
Em vez disso, a mami e o papi levaram-me à escolinha onde fui muito bem recebido e onde fui conhecer salas novas, com casas-de-banho pequeninas onde existem passagens misteriosas e divertidas.
Ainda que desconfiado, não me importei de passar o meu último dia de férias na escolinha, onde tantas novidades de certeza há por descobrir.











































