segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Últimos dias de férias de 2009


Com o papi por cá tudo mudou ligeiramente: a mami deixou de ser o meu refúgio e passou a ser a proscrita que dantes era papel desempenhado pela avó. O avô deixou de cavar tinieis e passou a conseguir estar deitado na toalha de praia a apanhar sol. O papi veio de férias para não ter descanso. Mas, de uma forma geral, tudo o que já se fazia continuou a fazer-se, birras inclusivé.

O papi encontrou um popó de rodas grandes igual aos do João Miguel de Aveiro e eu fiquei muito contente; finalmente tinha um verdadeiro todo-o-terreno para levar para a praia. Mas não satisfeito com esta minha felicidade foi comprar aquilo que andava a anunciar que me ía oferecer desde que eu nasci: um carro telecomandado. A mami diz que é o brinquedo do papi para eu ver como se brinca, mas o papi já me deixou conduzi-lo um bocadinho e sou sempre eu que o transporto. É grande e “pasado” e tem um senhor lá sentado e tudo!…

Despedimo-nos da avó Isaura velhinha. Joguei à bola com ela; as mãos dela tremem muito, mas eu punha-lhe a bola na mão e, aproximava-me muito dela para ela ma atirar de volta. Foi um pequeno jogo, de pequenos movimentos.

No domingo, dia 30, regressámos a Aveiro. Nas nossas 5 horas de viagem só dormi uma, mas consegui portar-me muito bem, para quem vai atado à cadeira sem poder mudar os entrefolhos de posição. Gostei de chegar a casa, de ver a nossa sala e adorei voltar a estar com os brinquedos que eu já não via há mais de um mês. Tomei muito bem o banho de chuveiro na banheira do papi e da mami que é muito maior que a nossa em casa da avó. Perguntei pelo barco; lembro-me que havia um barco nesta banheira da última vez que aqui tinha tomado banho.

No último dia deste grande mês de Agosto tomei o meu leite com flocos em casa. Antes de sairmos perguntei à mami pelos castelos e tive um ataque de saudades da casa da avó. Choraminguei, pedindo para irmos embora, para a casa da avó, acrescentando “a casa de aveiro não!”.

Em vez disso, a mami e o papi levaram-me à escolinha onde fui muito bem recebido e onde fui conhecer salas novas, com casas-de-banho pequeninas onde existem passagens misteriosas e divertidas.

Ainda que desconfiado, não me importei de passar o meu último dia de férias na escolinha, onde tantas novidades de certeza há por descobrir.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

28º dia: O papi chegou!

A birra da madrugada hoje (já quase às 7h) foi muito mais suave. Depois de me ser encontrada a malvada chupeta que eu nunca consigo encontrar sozinho, pedi à mami para acender o mundo. Fiquei muito mais tranquilo e não a chamei mais. Também dormi até às 9h, o que para a mami foi uma grande benece dada por mim.

Como é dia de praça e os avós não íam à praia, a mami decidiu que hoje também não íamos e vestiu-me para irmos à baixa. Antes de sairmos, chegou um camião que parou mesmo em frente a casa dos meus avós: trazia lenha! Estive atento a ver o descarregar e o carregar da lenha, num carrinho de mão igual ao meu.

Encontrámo-nos com a Guida em casa da avó Ina. Passeámos um bocadinho com ela, passeio esse que terminou com uma visita à Igreja do Colégio, cuja recuperação a mami ainda não conhecia. Estava a mami e a Guida a analisar o mastodôntico "altar" que lá foi plantado quando eu desatei a correr desordenadamente pela igreja, a chamar pela mami, gritando "cocó, cocó!" As senhoras em meditação devem ter parado de meditar, tal não foi o meu alarido. A mami disse-me que ía ter de o fazer na cueca e eu não tive outro remédio. Saímos logo da igreja, eu com um andar esquisito de perna aberta. A Guida convidou-nos para trocarmos a cueca lá em casa, mas a mami optou por me levar para o carro que estava ali mesmo por baixo da igreja.

A muda foi muito engraçada: a porta de trás que abre para o lugar que não está ocupado com a minha cadeirinha, só abria uns 40 cm por causa do carro ao lado e a mami não tinha ângulo para me arrumar devidamente. A porta do lugar da mami sofria do mesmo mal, até estava mais apertada. A única hipótese foi o lugar de passageiro à frente, onde a mami me deitou com a cabeça em cima do travão de mão e com um saco de compras a servir de travesseiro. Claro que o meu cocó era enorme, eu estou enorme e foi uma aventura mudar-me e limpar-me sem me sujar ainda mais e sem sujar os estofos do carro. Mas a mami conseguiu!

Almoçámos os dois sozinhos. Custou-me comer a sopa, mas a língua de vaca… repeti e repeti outra vez! Gosto muito! Depois o pêssego voltou a ser penoso… pedi carninha em vez do pêssego, mas a mami disse que não podia ser. VI um bocadinho de JimJam e depois fiz uma sesta, um pouco mais cedo porque hoje íamos buscar o papi, a meio da tarde, ao comboio de Tunes.

Lá estava ele, o papi, já à nossa espera! Foi uma emoção, corri para ele e gostei muito de estar ao colo dele durante um bom bocado. Voltámos para casa da avó e o papi veio atrás, ao meu lado. Já em casa, mostrei-lhe os meus brinquedos todos, velhos e novos. De repente, o papi propos que se me cortasse o cabelo… lá fomos, com o avô mais a sua máquina que me pos a chorar assim que me caíram os primeiros cabelos nas pernas. Seguiu-se uma chuveirada, em que estive completamente isolado na banheira. Lavar a cabeça sem o abracinho na mami ainda custa mais… Que coisa, o dia estava a correr tão bem!


Depois fui com o papi dar uma volta. só os dois. Fomos lavar o carro que estava muito sujo das idas para aquela praia longínqua! Jantámos, brincámos mais um bocadinho e fui dormir com a certeza de que já não era preciso esperar mais pelo papi nestas minhas longas férias.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

27º dia: O papi chega amanhã!

Tenho-me esquecido de contar que nos últimos 3 ou 4 dias tenho acordado por volta das 5h a chorar, chamando desalmadamente pela mami. Ela socorre-me, encontrando a chupeta, tapa-me novamente, enquanto eu acuso sucessivos dói-dóis e outras estratégias que a levem a prolongar a visita por mais tempo. Quando notoriamente se esgota a minha capacidade de contra-argumentar, a mami volta para a cama dela e eu fico a chamá-la aos gritos, mas na verdade durante muito pouco tempo, porque no fundo estou muito cansado e acabo por rapidamente adormecer. Ao pequeno-almoço a mami pergunta se alguém ouviu a birra e os avós ficam sempre muito espantados porque não ouviram nada: pudera! para além das condicionantes físicas e fisiológicas, dormem de porta fechada com o aparelho do ar condicionado ligado…

Mas o Levante acabou e o ar condicionado deixou de ser preciso. Hoje os avós dormiram de janela e porta aberta. Claro que hoje a minha birra teve outro impacto e toda a gente me ouviu. A mami procedeu exactamente da mesma forma. Eles aproveitaram, já que estavam acordados, e foram à casa-de-banho, sempre de porta aberta e claro, comigo a controlar todos os barulhos da casa que, esperava eu, haviam de ser da mami a voltar para vir ter comigo. Ainda conversaram um com o outro e eu que senti movimento e agitação prolonguei a minha birra por muito mais tempo. Hoje, fiz uma mega birra. Mas mais uma vez acabei por ceder, cansado. Ainda assim, de manhã, a mami levou-me para a cama dela para fazermos uma ronha os dois e eu gosto que ela me agarre o pé com a mão.

A praia hoje já não foi nada como era costume, houve sempre muito vento. Quando estávamos a chegar ao areal, saídos das dunas, o Vasco e os papis dele vinham a sair, em direcção ao carro. Íam para outra praia. Tive frio e pedi a t-shirt; andei enrolado na toalha, a imitar o avô que ainda se atreveu a ir ao banho. Pela primeira vez hoje tive vontade de fazer cocó na praia e lá se fez uma covinha para onde ele caíu. Depois fui com a mami ao caixote do lixo despejá-lo, bem enrolado nos toalhetes de limpeza.


Quando chegámos da praia, havia uma prenda para mim à porta de casa: a D. Luzia ofereceu-me uma carreta! Andei muito entusiasmado com este novo objecto, mas intrigado com o facto de, com tantos buracos que tem, nenhum permitir que se tire a bola que lá está dentro. Depois do banho que hoje foi completo, a mami voltou a fazer-me uma massagem por todo o corpo para me por creme. Quando me estava a por a cueca apontei e agarrei o meu rabinho e disse "aqui tem o buáco" e estiquei um dedo descobrindo a minha nova reentrância. A mami riu-se muito, eu ri-me porque ela se estava a rir. Disse-me: "agora cheira o teu dedo", coisa que fiz de imediato e que me deixou muito aflito, choramingando "tá sjucho".

Ao almoço voltei a ser preguiçoso e precisei de ajuda, ainda que tivesse um ovo estrelado só para mim! Mesmo assim, foi complicado. O Pierce afinal chama-se Thomas e descobrimos hoje que também dá à hora de almoço. Entro em completa histeria com estes desenhos e corro a chamar o avô para o ver comigo. O JimJam é um canal fantástico.

Voltei a não querer iogurte ao lanche, preferindo os meus queridos flocos no leite. Levo muito mais tempo, mas fico muito melhor lanchado! Depois do lanche, eu e a mami tentámos ir lá para fora andar de triciclo mas estava tanto vento frio que nos aguentámos muito pouco na rua. Viémos pintar, mas também por pouco tempo, porque apareceu a Guida que trazia uma prenda para mim: um pequeno ábaco!

Jantei com grande dificuldade apesar da entusiasmante ajuda da Guida que ficou mesmo ao meu lado e em quem me fartei de roçar os meus pés, por baixo da mesa. Tive de ser ajudado e ameaçado com a presença de uns apetitosos caracóis. Esta é uma luta que a mami não consegue ganhar nestas férias…

Muitas ameaças de cocó na cueca houve durante todo o serão. Incomodam-me especialmente porque eu fico muito angustiado com o facto de a cueca ficar suja. Não gosto!, pronto! Vi um bocadinho de televisão sentado no bacio, enquanto se fazia sala. O cocó lá resolveu sair e eu fiquei muito mais aliviado.

Ainda falei com o papi, que chega amanhã, de comboio!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

26º dia: fim do Levante e do Verão

Hoje já não quis ir ao mar. O vento era muito e previ que seria desagradável sair da água e apanhar com o vento norte. Ainda assim, fui com a minha mochila às costas e regressei com a minha mochila às costas (ao colo, claro!). A mami ensinou-me que o colo só se apanha quando chegamos às ervas das dunas, por isso eu tenho de ir pelo meu pé e de mochila às costas desde o sítio em que tínhamos o toldo espetado até ao dito local em que a vegetação começa.

Como não houve banhos de mar, o banho de banheira também foi menos exigente, até porque tinha um com menos de 24h na minha pele. A mami hoje nisso foi muito amiga. Nem foi preciso fazer de moura com a toalha, porque sequei num instantinho! De tal maneira que até surpreendemos a avó, pois pela primeira vez nos despachámos antes dela.

Almoçámos restos. Eu fiquei com franguinho com arroz e batatas fritas e por isso portei-me bem. Para sobremesa, deram-me nectarina do avô e uma fruta amarela que eu nunca tinha provado mas de que até gostei: manga.

A seguir estive a ajudar o avô a reconstruir a minha garagem de estilo arquitectónico pagode chinês. Desta vez não fui eu que a destruí e aquela história de ser à prova de sismo, em boa verdade, revelou-se não ser suficiente, especialmente se por perto houver um avô que chega a casa às 2h da manhã e não vê onde põe os pés.

Lanchei leite com flocos. A seguir, saímos todos, para ir ao Continente: eu fui enfiado no carro das compras e lá fui ao moche para um mar de povo, com os meus avós, sem colete flutuador; a mami foi à loja do primeiro piso comprar-me cuecas. Valeu a pena: estou muito orgulhoso das minhas seis cuecas novas. Até já inaugurei umas com um belíssimo cocó daqueles de tirar com a faca, numa das minhas deambulações de triciclo pela casa.

Petisquei caracóis com a mami, treinando exaustivamente a minha nova voz de falsete que exaspera a mami e enerva a avó. Ao jantar, trocou-se a sopa por açorda de que eu tanto gosto e a papa foi um arroz de polvo que me obrigou a repetir. Tive direito a sumo e só não fui à gelatina porque me empanturrei com fruta. Ficámos todos muito contentes porque me portei muito bem.

Ao deitar, a fraldinha tinha ido para lavar e eu fiquei triste. Até a do Noddy estava suja e aos tombos já no interior da máquina da roupa. A mami mostrou-me três fraldinhas lavadas para eu escolher e eu não quis nenhuma. A mami deixou então o Noddy escolher primeiro: ele escolheu a dos passarinhos. Fiquei só com duas e optei pela do V. Mas custou muito… Pedi para ficar com o mundo aceso.

domingo, 23 de agosto de 2009

25º dia: formas de e com areia

O upgrade para as braçadeiras não correu muito bem e eu hoje não quis mesmo estar dentro de água. Pode também ter tido a ver com as ondas que eram muitas, estavam a rebentar em todo o lado e faziam muito barulho. O entusiasmo que eu levava perdeu-se rapidamente; afinal isto das braçadeiras não é bem como eu pensava…

Hoje, finalmente, aprendi a fazer formas na areia. A mami tem levado para a praia as tacinhas com que eu brincava na banheira, quando era piquihino e tomava banho de imersão. Hoje, observando o avô, aprendi a fazer pequenas torres de areia, usando essas tacinhas. Fiquei muito entusiasmado e senti ter ultrapassado uma barreira!



Almocei bem. A sopa custou um bocadinho, mas o coelho da avó estava muito bom e ainda tive direito a gelatina. Depois do almoço fomos todos para a sala e eu e os avós deitámo-nos no chão para fazer "sornas". As minhas eram as mais curtinhas de todas porque assim que me deitava levantava-me logo de seguida e exclamava "A Tenha acudou!". Nem de propósito, a minha sesta de hoje foi bastante mais curta do que as dos outros dias. Nem foi preciso virem abrir-me a porta; acordei antes da mami que também dormitou esta tarde.

Lanchámos, brincámos na sala e pouco depois a mami anunciou que ía até à praia; a avó juntou-se-lhe e o avô ía para uma feira, por isso tive de me juntar a alguém e fui com elas. Fui muito vaidoso porque a mami me pôs uma mochila às costas: o saco do meu colete flutuador!


A praia estava diferente: no caminho dos jipes, até lá chegar, apareciam muitos pára-pentes no céu; a mami explicou que eram kytes e eu só percebi quando estacionámos e os pude ver na ria de Alvor, de prancha atrelada ao papagaio. Depois, a praia propriamente dita: durante a minha sesta a água do mar tinha chegado até às dunas e na zona em que a extensão de areia forma uma ligeira cova, entre as dunas e o mar, havia uma língua de água a todo o comprimento do areal. Uma piscina! Muitos meninos aproveitavam essa água para brincar, já que as ondas do mar pareciam as de Aveiro. Eu também fui logo chapinhar nessa água, com o meu balde e regador e camião e pá e ancinho. E só não levei as tacinhas para fazer formas na água porque são piquihinas, porque o vento era muito e havia corrente, mesmo nessa piscina!

O Gonçalo apareceu passado um bocado e veio brincar comigo. Hoje, pela primeira vez, discutimos a posse dos regadores, mas passou depressa, porque me empenhei na escavação de um tiniel que se transformou em simples cova para enterrar bem enterrado o meu camião. O Gonçalo ajudou a tapá-lo, mas ficou preocupado quando deixámos de o ver e queria deixar só um bocadinho à mostra; eu não quis e zanguei-me com ele; era mesmo para desaparecer com o camião, sem histórias! Depois fomos os dois correr ao longo da linha de água, em direcção ao por-do-sol, com as nossas mamis atrás de nós. Molhei-me todo, atirei-me várias vezes para a areia encharcada, e diverti-me muito. Saímos da praia às 20:10, cheios de fome, comigo a roer meia Belga que a Sara me deu.

Claro que ao chegar a casa tive de ir tirar o salitre, coisa que até já tinha sido feita hoje, antes do almoço. 'Tá a lavar a cabeça outra vez! Estava cansado e por isso o jantar me custou mais. No fim da papa, a avó deu-me a provar o líquido amarelo que ela estava a beber e que eu cobicei durante toda a refeição: serviu-me chá na chávena de café da mami! Eu pedi mais, gostei muito daquele líquido.

Pouco depois, ao levantar da mesa, parti um copo. Enquanto a avó ficou a apanhar os milhentos cacos que se espalharam no chão da cozinha, a mami trouxe-me para a sala e sentou-me no bacio, para eu fazer força. Quando os cacos foram finalmente varridos, eu anunciei um cocó e sim, desta vez não era bluff, lá estava ele!

Brinquei até tarde, a arrumar popós e a falar com o papi no ichat. Despedi-me da avó dando-lhe um beijinho na cara dela. Perguntei pelo avô - também lhe queria dar um a ele… A mami também teve direito a um beijinho destes, antes de me por na cama. Pedi para ficar de mundo aceso.

sábado, 22 de agosto de 2009

24º dia: hoje já não houve birras!

O último dia de férias com o Ricardo. Bem, férias talvez não seja a melhor palavra porque nestes dias cá em baixo, ele só terá estado mesmo de férias quando foi "para o outro lado" e deixou cá ficar o computador. Ainda hoje de manhã, sábado, tivémos de esperar por ele que tempos, ora ao telefone, ora ao computador, e por isso chegámos à praia quase às 10:30.

Estive bem disposto. Agora ando de calções-de-banho porque me estão sempre a apanhar a torcer a pilinha. Pareço um rapazinho! Aprendi a atirar-me para a areia, em plena corrida e na descida para o mar, como se tivesse tropeçado nos meus próprios pés ou no embalo excessivo da corrida que dou. Achei piada e fi-lo uma série de vezes, enquanto jogava à apanhada com o avô. Sento-me na areia à babuja e espero pelas ondas, que agora estão muito piquihinas, e que me vêm molhar as pernas e o rabinho. Tomei um banho sem colete flutuador e fartei-me de bater o pé. A água continua muito boa. No caminho para casa vim conversando com todos e já nem pedi a chupeta, como era habitual, sempre que saíamos da praia.

Tomei duche com a avó porque hoje a mami fez o almoço. Foi um duche muito rápido e diferente e a avó foi amiga porque não me lavou a cabeça que tem algum salitre. Ao almoço portei-me razoavelmente; o Ricardo, sentado ao meu lado, foge de mim porque eu roço as minhas pernas e pés nas pernas dele. Ele não gosta e reclama muito.

Acordei cedo e bem disposto, com a fralda seca e com a bola dos golfinhos ao meu lado. O Ricardo já se tinha ido embora, para Lisboa e tinha levado a prancha grande no popó preto dele.

Não quis lanchar iogurte, preferi leite com flocos! E a mami experimentou dar-me leitinho frio, saído do frigorífico, e eu bebi muito bem.

Depois de um xixi inóme para poder seguir sem fralda, fomos ver a avó Isaura que não sabe bem quem eu sou, mas que gosta muito de me ver. Fiz os cumprimentos todos aos outros velhinhos e velhinhas, as gracinhas e brincadeiras que se espera de um menino da minha idade, fui ajudar a avó a levar as fraldas para o quarto da avó Isaura e até fui fazer um xixi na sanita dela!

Quando chegámos, estive na piscina; primeiro estive a destemperar a água, com a mangueira da rega do avô, porque a mami hoje levou o termómetro-baleia e a água marcava 39,2º. Depois, treinei os meus mergulhos de cabeça: primeiro para a frente e depois para trás. A avó encontrou as minhas braçadeiras do ano passado e eu quis logo po-las. Só saí da água quase à hora do jantar, porque espirrei e porque já tinha os dedos todos enrrugados, coisa que me preocupou o resto do dia, até a minha pele voltar ao normal.



Voltámos a jantar caracóis, o que me diverte e envolve grandemente. Nestes dias tenho sempre direito a sumo, a pico e, volta e meia, a uma espetada de caracóis preparada pelo avô. Ainda tive tempo de brincar aos telefones com o avô, com a avó e com a mami, cada um com seu aparelho a fazer de conta que falava com o papi Jacob, a meu pedido.

Portei-me bem. Ainda fiz algumas ameaças de fita choramingas, mas o pessoal ou me abre os olhos ou desampara logo e eu, ao ver-me abandonado, mudo o registo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

23º dia: amanhã não há birras!

Hoje na praia conheci uma nova menina chamada Catarina. Quis brincar com a bola dela e ela brincou com o meu regador e com o meu avô. Esta menina era estranha: falava quase tão bem quanto eu, mas dizia ter cinco anos. Também era um bocadinho descoordenada quando carregava o balde ou o regador com água. Eu saía-me bem melhor que ela… e já não tenho medo nenhum de ir ao mar buscar a minha água, quando preciso de encher balde ou regador. Fiz a minha primeira birra do dia quando resolvi querer mais uma vez a bola desta menina, que ma emprestou mas rapidamente ma tirou, o que como devem imaginar, foi muito desagradável.

Passado um bocado, já ao final da manhã, chegou o meu amigo Gonçalo. O papi dele hoje trazia um grande barco, já cheio e tudo! O Gonçalo vestiu o colete dele amarelo e lá foi para o mar, dentro do barco. Eu cobicei a ideia; a mami pos-me o meu colete azul e levou-me à água, mas eu estava com medo de entrar no barco, para junto do Gonçalo - aquilo bandeava muito! Lá me convenci de que a mami ía ali estar ao lado e que o Sérgio também ficava a segurar sempre e entrei, de frente para o Gonçalo, os dois sentados à chinês. Foi um pedacinho muito agradável, mas fiquei com frio muito rapidamente. O Gonçalo também não aguentou muito mais e veio ter comigo. Uma vez secos, brincámos com baldes, regadores e muita água, até que o Sérgio nos deu a ideia de verter a água para dentro do barco, que ali estava mesmo ao lado, na areia. Não podia ter dado melhor sugestão! Para além da água, também nós fomos lá para dentro, cheios de ideias e de trabalhos para executar. Eu até fui ao toldo buscar o camião para também o ensopar dentro do barco.




Mas a mami, que já estava a arrumar as coisas para nos irmos embora, não me deixou molhar o camião e eu, que não gosto de ser contrariado, empenhei-me numa birra daquelas sérias, com guinchos que, segundo a Sara, pareciam os de um porco na matança; atirei-me ao chão, na areia, em claro sinal de protesto. Fiquei muito exaltado e só me calei quando a mami, que se viu aflita para me conseguir vestir, me pegou ao colo para fazermos a travessia de regresso ao carro. O avô e a avó já lá estavam à nossa espera. Reiniciei a birra quando percebi que, na viagem, me íam a ignorar, todos com cara de mau. Pedi a fraldinha e a chupeta e a mami disse que mas dava em casa e que era lá que elas estavam. Chorei e solucei; só consegui ficar tranquilo quando a mami me disse que me dava as duas fraldinhas: a minha e a do Noddy. Em casa comportei-me como se nada se tivesse passado. Ofereci um pouco de resistência à sopa, mas comi muito bem a papa que era frango de churrasco com batata frita e aceitei provar melão dado pela avó, chegando mesmo a confirmar que era bom.

Antes de começar a novela da avó, brinquei aos soninhos com o avô e com a avó no sofá, os três deitados, engalfinhados, comigo por cima de um e de outro, a dar joelhadas na hernia do avô que vai ser operado outra vez.

Quando acordei da minha sesta a mami não estava em casa. A avó diz sempre que ela vai às compras… Não quis que a avó me levantasse da cama e ela deixou-me no quarto a conversar sozinho. Quando a mami chegou eu já estava na sala, mas porque o avô me tinha conseguido arrancar do quarto, ainda que com algum trabalho. Lanchei e fomos visitar a Dindinda e o Romeu, um caniche branco, nervoso, de caracóis no topo da cabeça e a quem eu preferi chamar Robô. Durante a visita pedi para ir À sanita duas vezes. A mami levava-me pela primeira vez para fora de casa e extra praia, sem fralda! Portei-me bem.

Contudo, foi sol de pouca dura. Ao jantar voltei a cantar ABCDs e a querer tudo menos comer. O Ricardo zanga-se muito comigo e eu tenho-lhe muito respeito. Este já percebi que não me atura como os outros. Ele manda-me comer com voz mais alta e cara de pirata, e eu páro os ABCDs e como mais uma colherada, sem pedir ajuda. Mas a mami hoje até se foi embora da sala porque eu estava muito teimoso e indelicado. Quando o papi chamou na janela eu ainda estava a fingir que comia fruta!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

22º dia: as birras crescem com as férias!

Hoje fui muito feio o dia todo. A mami nem me quis tirar fotografias nem nada. Fiz muitas birras, até em situações em que não as costumava fazer… Quando acordámos, estava um camião muito estranho, de atrelado, a fazer pi-pi-pi-pi-pi mesmo junto à casa dos meus avós. A mami explicou que lá dentro estava um senhor a aprender e outro a ensinar a manobrar o camião e o atrelado em marcha-atrás. Eu colei-me à janela do quarto do Ricardo e estive a aprender também. A primeira birra foi mesmo aí, quando eu estava concentrado na manobra e a mami me chamou para por creme.

Depois, fiz duas na praia; uma antes de comer o iogurte e ninguém percebeu o seu porquê, nem mesmo eu… A outra foi à saída da praia, porque não queria limpar a areia do rabinho com a água do mar que agora está um pouco mais fria. Quando chegámos ao carro, depois de uma travessia pelas dunas às cavalitas do avô, fiz outra. Entendi que mais ninguém para além da mami me pode sentar na cadeirinha e estrebuchei ao colo do avô, de tal maneira que quase o desequilibrei. Depois, já instalado dentro do carro, enquanto o resto do pessoal limpava a areia dos pés para também entrar, chorei porque não gosto do pára-sol do pára-brisas estendido e a tapar-me a visibilidade. A avó prontificou-se para o retirar e dobrar, mas eu gritei que tinha de ser a mami.

Na viagem para casa, pedi a chupeta da Adriana, mas já ninguém me liga nenhuma. Não deixo ninguém conversar e começo a chamá-los a todos de seguida e com a voz cada vez mais alta. Chorei e pedi o ABCD. A mami ligou o rádio do carro, pos o ABCD a tocar e eu pedi o AEIOU; a mami que já não estava com paciência para me aturar a tirania, desligou o rádio do carro e eu fui a chorar até casa.

Ao almoço insurgi-me contra a avó que tenta ajudar mas eu nunca quero que ela ajude, gritando-lhe "avó não!", de mão levantada. A mami deu-me uma palmada na mão. O almoço era feijoada de buzinas, mas como os piri-piris do avô são muito fortes, eu não a consegui comer e a mami preparou-me uma omolete, coisa que eu nunca tinha comido e de que gostei muito. Depois de tanta birra, ainda sou recompensado!

Ao acordar chorei porque foi a avó que foi ter comigo ao quarto. Depois de escolher o meu iogurte, chorei e berrei porque queria ajuda para o comer e a mami não ma dá. Levou-me para o quarto e lá estivémos até eu me acalmar. Voltámos à cozinha e eu ameacei uma birra porque entendi que havia de comer o iogurte na sala. Comi o iogurte debaixo de um cerco muito cerrado. A mami estava a ficar mesmo bera.

Depois, fiz uma birra porque queria jogar à bola e a bola estava no carro. A mami já me explicou que aquela bola não pode vir para casa. Chorei até a convencer a ir buscar a bola para jogarmos na rua. Joguei à bola 3 minutos, porque dispersei para os Playmobil da piscina. Ainda me meti com a mangueira e choraminguei aquela palavra de que tanto gosto mas que pronuncio num formato estranho que mais parece "arroz": queria o regador. A mami disse que a rega só é feita quando o avô manda e eu aceitei a explicação, até porque o avô também me tem feito cara feia nos últimos dias…

Antes do jantar, enfureci-me com os meus brinquedos e destruí integralmente a última versão da minha garagem de Lego, feita pelo avô. Não queria comer a sopa, cuspi várias vezes os bagos de arroz que nela encontrei, simulei o vómito, só comi o peixinho porque a avó me distraíu com a boca do peixe que ela tinha no prato dela e comi a nectarina do avô porque a mami lá ía fazendo com o garfo aviõezinhos, pára-pentes e helicópteros avariados.

Depois de eu subir para ir para a cama, o avô fez uma nova versão da garagem, agora num estilo mais pagode chinês e, segundo ele, à prova de sismo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

21º dia: está sempre gente nova a chegar

A ida para a praia hoje foi mais demorada; como é dia de praça, a avó e o avô não foram. A mami tinha-se deitado muito tarde na noite anterior e ainda dormitou um bocadinho no sofá enquanto eu estava no bacio a ver o BabyTV. O Ricardo ficou para último e ainda nos atrasou mais um pouco.

O Gonçalo de Famalicão foi lá ter connosco. Foi o primeiro dia de praia dele e está tão branquinho! Mais uma vez démo-nos muito bem, partilhámos brinquedos, ele tinha dois regadores, instrumento que me agrada particularmente e ainda jogámos um bocadinho à bola. Ele foi à água de barco e com uma grande pá e eu também quis ir, com o meu colete e com a minha pá, contrariando a mami que sempre me disse que a pá e o ancinho não íam para a água. Quando as nossas mamis nos estavam a vestir para irmos embora, o Gonçalo disse à dele que queria ir a minha casa, ver os meus brinquedos. Acho que já somos bons amigos!


Depois da minha sesta de fralda seca e do meu lanche de iogurte com sabor a Cheesecake, aparaceram por cá o Tio Manuel e a Tia Maria Luísa. Recebi-os muito bem e fartei-me de brincar com ele que no fim me presenteou com uma nota que a mami diz que é das gordas.

Falei com o papi à hora do jantar mas ele ainda estava na loja e não me prestou grande atenção. Falar com o papi no computador é mesmo uma frustração! E ele ainda não me disse quando chega o comboio dele.

Hoje fiz muitos cocós nas cuecas (que estão sempre penduradas na corda, a secar) e um xixi no chão, lá fora, enquanto jogava às escondidas, e enquanto estava acocorado no meu esconderijo; ainda assim, farto-me de avisar a mami sempre que me parece que vou ter uma vontade. Estamos sempre a caminho da casa-de-banho. Isto é muito complicado!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

20º dia: ponto de situação


• Biberão: já só tomo um biberão por dia; o da manhã foi substituído por uma taça de leite com flocos.
• Fralda: a mami já só me põe fralda para dormir a sesta e para fazer o soninho da noite; a da sesta costuma estar sequinha-sequinha e serve para a noite; já só recorro ao bacio para tentar fazer cocós, prefiro fazer os xixis sentado na sanita; ainda faço alguns fora do sítio, mas como estou sempre a ser questionado sobre o assunto, são muito poucos.
• Refeição: continuo muito preguiçoso e causador de alguns atritos, mas tenho-me esforçado por combater este mal; quando termino a sopa sem pedir ajuda a ninguém gosto de mostrar o meu prato rapado a toda a assembleia, num movimento elíptico que permita fazer chegar a todos o fundo da minha tijela.
• Higiene: na banheira já não tomo banho de imersão, só duche; gosto de segurar o chuveiro por um bocadinho para molhar as bolas laranja, amarela e roxa, mas já percebi que não se pode ter a água sempre a correr; gosto de ser eu a por o chuveiro no sítio porque o gancho, cá em casa dos meus avós, fica mesmo à minha altura; lavar a cabeça ainda não é completamente pacífico, mas é mais divertido porque eu e a mami temos um jogo que é ver quem ri mais; tenho um degrau que me permite chegar ao lavatório e cuspir sempre que lavo os dentes; gosto de ajudar a mami a por o creme, mas ponho-o sempre no mesmo sítio (na barriga).
• Banhos: nado no mar com o meu colete flutuador e gosto de ondas; prefiro a água fria do oceano à água tórrida da piscina piquihina, onde ultimamente nem tenho conseguido entrar sem que a água seja destemperada.
• Actividades: continuo a gostar muito de regar e aqui temos muito que o fazer, especialmente quando se vaza a piscina; continuo a preferir brincar com popós, em lugar de qualquer outra coisa, nomeadamente porque há sempre garagens para eu os arrumar com diferentes configurações; estou muito habilidoso no que respeita a chutar a bola, demonstrando ter algum jeito para a coisa.
• Linguagem: tenho evoluído com o uso de algumas palavras e expressões novas: digo que "o xixi é inóme", já digo "Tenha comeu", em vez de "Tenha papou", sei aplicar muito bem a conjunção "também" e respondo "não sei", na primeira pessoa, quando realmente não sei dar a resposta.
• Social: tenho conhecido muita gente; com alguns sou logo bastante simpático e permito-lhes as brincadeiras e as intimidades dos beijinhos peganhentos; com outros revelo-me muito reservado e se me pedem beijinhos ponho a minha cara de mau, de sobrolho bem franzido e viro-me todo para a mami, em busca de refúgio e socorro.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

19º dia: final do dia muito em grande

Praia! Voltámos à praia. Parece que aqui pela terra dos meus avós não se faz muito de outra coisa… Hoje, para não variar, tomei um grande banho de mar e já bati o pé um bocadinho de nada sozinho desde a mami até à avó e desde a avó até ao avô. O meu colete flutuador ajuda bastante porque me dá alguma segurança. Hoje fui enterrado no interior de um popó de corridas com rodas e tudo.


Almocei razoavelmente bem; como a sopa de abóbora toda sozinho e vou repetindo "ajuda não!", como que a evidenciar a minha autonomia e a demonstrar à mami que se quiser pode encher o meu copo com sumo. Deitei-me cedo para a sesta, depois de um Cuquedo cada vez mais teatral, em que eu próprio já faço vozes especiais para cada personagem do conto. Eu e a mami temos vindo a ensaiar gestos para cada "Alto Lá!" e para o "BUUUUU" final que é apoteótico, e eu repito-os sempre certinho, sem precisar de ajuda do ponto.

A porta do quarto foi-me aberta três horas depois de eu me ter deitado. Acordei pouco depois, com os ruídos da casa. A avó foi ter comigo, mas eu quando estou estremunhado prefiro que seja a mami a ir buscar-me à cama; choraminguei, piegas de mimo. A mami apareceu um pouco depois e trazia-me um degrau "azú" para eu chegar ao lavatório, com anti-derrapante e tudo. Levou-me a escolher o iogurte como já vai sendo habitual, naquele frigorífico piquihino que a avó tem no corredor da roupa.

Enquanto eu desafiava o avô para vir brincar comigo com os popós e a garagem, a mami desafiava-me para irmos à praia. O processo foi lento, demorado e lá conseguimos sair de casa às 18:10. Era uma ida à praia arriscada, porque era tardia… mas lá fomos na mesma. O Ricardo chegava hoje e a mami achava que à custa da viagem dele conseguiríamos estar na praia um pouco até mais tarde sem corromper os horários de jantar da avó. Assim foi. Estava lá o Vasco e a Vanessa. Eram quase 19h quando tomámos um banho com direito a mergulho. Engoli um pirolito que me deixou muito aflito, mas valeu a pena a ida ao mar. O Vasco e a Vanessa deixaram-nos e ficámos a curtir a praia os dois, cheios de brincadeiras e correrias porque já não estava o sol quente da manhã e não havia sequer brisa que nos esfriasse.



Devo adiantar que todas as minhas viagens de e para a praia foram feitas sem fralda. Levei apenas o meu calção de banho vestido e, porque os acidentes acontecem, mesmo indo eu à sanita antes de sair e indo ao mar antes de deixar a praia, a mami pos uma fralda das velhas a servir de protecção na minha cadeirinha.

Chegámos da praia às 20:30. Eu trazia um cocó pequenino no calção, mas a mami não pareceu nada preocupada. Pudera!, tomámos um duche rápido, que nem deu para eu dar a chuveirada habitual à minha baleia-termómetro: a avó estava num vespeiro, cheia de fome!! Durante o nosso jantar (que devo frisar, correu muito bem!) chegou o Ricardo e a Guida. Antes da fruta, falei com o papi durante muito tempo e, já bastante tarde, o Ricardo foi buscar as prendas que trouxe para a família e a minha era a maior e com embrulho: um TGV da Riviera francesa!!! Hoje nem me lembrei de ver o Pierce nem nada! O TGV está, neste momento, a dormir comigo! A mami bem disse ao papi que eu praticamente não precisava de trazer brinquedos para Portimão…

domingo, 16 de agosto de 2009

18º dia: mais do mesmo

Naaaa… Voltei a acordar antes das 7:00… mas a mami foi-me buscar muito zangada, levou-me para a cama dela, disse-me que eu ontem tinha sido feio e que ela precisava de dormir. Eu deixei-me estar sossegadinho ao lado dela uma hora e meia, porque às 8:30 começou a haver movimento cá em casa que justificou eu não querer estar mais deitado.

Depois dos leites com flocos de toda a gente, depois dos cremes bem espalhados e dos fatos-de-banho vestidos, lá fomos para a praia, para aquela mais longe para onde temos ido toda a semana. O caminho até à praia é no mínimo emocionante: como é muito irregular e com muita areia, abundam os jipes e eu exclamo "outo jipe!" sempre que passamos por um, ou seja, de segundo a segundo. O avô hoje presenteou-me com dois jipes do Ricardo, que eu posso levar para a areia e tudo!

Quando chegámos ao nosso lugar de estacionamento, junto a uma grande duna, estava lá parado o carro da Vanessa, que também estava a chegar à praia. Mas eu não liguei grande coisa ao Vasco que é muito piquihino para mim. Perguntei à mami pelo João Miguel, mas ele já não volta mais a esta praia porque regressou à casa dele. A mami já nem me diz que é em Aveiro para eu não começar a perguntar pelo papi António e entrar em saudosismos a horas tão impróprias.

O avô fez-me uma pista para os jipes, mas um deles, que tem um autocolante do Instituto de Emprego e Formação Profissional e, portanto, não o devíamos ter trazido hoje porque é domingo, recusou-se andar na areia. O outro lá ía andando mais ou menos, mas não há como os jipes do João Miguel; a mami diz que não são jipes, mas antes Big Foot. Viu que os do João Miguel eram da Hot Wheels e já foi à procura destes popós todo-o-terreno, mas estão esgotados. Que pena! Eu gostei tanto deles! Mas o que mais me tem divertido na praia são as idas à água com a mami, com o meu fato-de-banho azú, saltar nas ondas do Levante.


No regresso da praia, uma das minhas chinelas não resistiu à azáfama que lhes tem sido dada e descolou. O avô já lhe tratou do problema e amanhã parece que já tenho chinela outra vez, mas já vimos que a outra se prepara para descolar também. Tem sido uma época difícil para estas chinelas!

Almocei bem a sopa que é de abóbora muito boa, mas menos bem o arroz de pato que tinha uns fiapos mais rijos e uns pedacinhos de osso que me incomodaram e que me puseram a cantar o ABCD a plenos pulmões. O avô diz que eu sei mais que a mula russa… Fiz um cocó na cueca e fui logo avisar a mami. Dantes, quando eu usava fralda, fazia o cocó e não dizia nada a ninguém! E se me perguntavam se eu tinha cocó eu respondia que não, mesmo se o fedor fosse daqueles que não primam pela descrição.

Voltei a fazer uma birra quando a mami me pôs na cama; agora quero sempre ler o Cuquedo e que ela fique comigo até eu adormecer. Inicialmente fui para a cama do avô porque ele me convidou para dormir a sesta com ele. Mas a paródia é mais que muita e o avô não percebe nada de por meninos a dormir a sesta. Nem sequer me foi buscar a fraldinha e a chupeta! A mami levou-me então para o quarto do Ricardo e depois de lermos e fantaziarmos o Cuquedo, despediu-se e deixou-me muito desalentado. Ela já sabe que eu me canso depressa e assim foi. Passadas três horas, abriu-me a porta do quarto e 15 mn depois eu acordei naturalmente com os barulhos da casa. A minha sesta de hoje foi bastante mais curta que o habitual.

Ao final da tarde fomos os dois para a piscina, cuja água hoje teve de ser destemperada porque quase fervia. A mami diz que amanhã traz o termómetro para lhe ver a temperatura. Fartámo-nos de brincar os dois e eu bebi muitos pirolitos por causa das travessuras a roçar o estilo da amona que a mami me fez dentro de água.

O jantar foram os caracóis que fomos comprar ontem. Eu regalo-me a enfiar os caracóis no pico da piteira, especialmente aqueles que me põem no prato já sem concha. A mami desafia-me pondo daqueles que ainda têm concha, mas eu rapidamente desisto e arranco-os da casinha deles com os dentes. Como comi muito bem, tive direito a sumo e pude levantar-me da mesa para ir brincar antes da fruta.


Antes do meu soninho, que hoje já foi mais pacífico, apesar de ter pedido à mami para deixar o mundo do Ricardo aceso, vi o Pierce no JimJam. O Pierce é uma locomotiva miniatura, que anda pelas linhas, que tem uma cara e mexe os olhos. A mami diz que são os desenhos animados mais baratos e foleiros que já viu, mas eu gosto muito e convido o avô para ver o Pierce comigo.

sábado, 15 de agosto de 2009

17º dia: um banhista cool, um mimado teimoso

Hoje voltei a acordar muito cedo. A mami acha que assim não são férias! Ela bem me leva para a cama dela, mas eu já não estou para estar ali deitado, de plantão. Ela, de olhos fechados e com uma voz muito mole, lá me vai dizendo que os passarinhos ainda estão todos a fazer oh-oh e que temos de esperar que eles acordem, mas estes pássaros no Algarve dormem até muito tarde e eu não estou para nada disto: quero leite com flocos!

Resignada, a mami leva-me ao bacio para podermos ir para baixo. Enquanto ela prepara os nossos pequenos-almoços, desce também o avô, ainda a tropeçar em tudo, passando por nós sem nos ver, como se ali nem estivéssemos. Vinha de tal maneira estranho que foi tomar o leite com flocos dele para a rua, na mesa dos jantares grandes. Passado um pouco, aparece a avó, mais composta e a fazer-me uns grandes cumprimentos, grandes demais, com abracinhos e lavagices de beijos.


Acabo o meu leitinho e procuro o avô que andava lá fora a fazer barulhos: ía regar! Sem me dizer nada!… A mami só tem tempo de me calçar os chinelos, porque eu já estou num pé e no outro para ir regar também; vou logo ter com ele e ajudo-o a regar as petúnias, os dois muito amigos, em pijama, às 8:00 da matina.

Na praia lá estava o João Miguel de Aveiro. Veio logo ter connosco, cobiçando a minha bola d'A Bola. Jogámos pacificamente um bocadinho, mas cedo se repetiu a cena do outro dia; eu nunca conseguia chegar à bola, porque ele apanhava-a sempre antes de mim. Lá fiz a minha birra, mas passado um pouco ele foi buscar os popós dele (que andam na areia e tudo) e a mami convenceu-o a emprestar-me um para podermos brincar os dois. O avô fez uma pista grande, a mami acrescentou-lhe umas rampas de saltos para a tornar mais radical e estivémos muito entretidos os dois o resto da manhã.


Voltei a ir ao banho com a mami, inicialmente muito contrariado, mas depois, com tantos saltos nas ondas e a nadar da mami para a avó, já nem queria sair da água. Batia o dente com frio e tinha os lábios roxos, mas eu queria era estar na água.


Depois de uma sesta de quase 5 horas, lá para as 19:30 fui com o avô comprar caracóis para o nosso jantar de amanhã. A mami deu-nos boleia e avisou-me que eu não podia fazer xixi na cadeirinha, já que ía andar de popó preto sem fralda pela primeira vez. Os caracóis compram-se na casa de uma senhora que, no jardim, à entrada de casa, tinha um menino todo nu a mergulhar numa piscina parecida com a minha. O menino queria que eu fosse mergulhar com ele e eu ainda estive tentado, mas o avô não deixou. Já tinha o saco de caracóis na mão e estava na hora de voltar para casa, de preferência seco. E sim, cheguei seco, não fiz xixi na cueca, nem tão pouco na cadeirinha!

À noite fiz uma birra inóme porque não queria fazer oh-oh. A mami diz que eu ando a acordar muito cedo e a dormir demais à tarde e que me vai reduzir as sestas. Era meia-noite, soltaram-se os foguetes da Festa da Sardinha, e eu ainda estava a lamuriar-me, a chamar pela mami, que tentou tudo para me acalmar e dissuadir desta teimosia. Só quando me ignorou é que eu finalmente percebi que estava na hora de dormir.

Hmm, será que, cansado como estou desta extensa manifestação, amanhã a deixo dormir até às 10h?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

16º dia: cocó na cueca e xixi pernas abaixo

Isto é que está a ser um desafio! Hoje de manhã, assim que acordámos, a mami levou-me ao bacio e eu fiz logo um xixi. A mami perguntou se era grande ou pequeno e eu respondi que era "inóme!" Todas as idas ao bacio, com sucesso, são muito festejadas e eu participo muito nesses festejos.

Na praia, como ando nu, vou fazendo uns xixis (já muito poucos) pelas pernas abaixo e nem dou conta. Hoje, por exemplo, fui com a mami ao mar duas vezes, ao colo e muito agarrado por causa das ondas do Levante, e numa delas, enquanto esperávamos o fim do set, a mami sentiu um fio húmido e quente escorrer-lhe pela cintura abaixo. Pode ter sido da emoção, por irmos saltar nas ondas!…

Quando chegamos da praia vou logo ao bacio, antes de entrar na banheira. Volto a fazer um xixi. Depois do creme hidratante com direito a massagem, a mami insistiu que eu tinha de fazer cocó porque ontem voltei a parar os meus intestinos, graças às múltiplas descargas do dia anterior. Eu garanti-lhe que não saía nada para já, e pronto, vestimos a minha cueca. Andei muito contente a correr de casa-de-banho em casa-de-banho a espreitar os banhos de toda a gente. De repente vim ter com a mami e disse-lhe muito descontraidamente "cocó na cueca". E sim, havia um cocó na minha cueca. Acrescentei "gaaaaannnde", muito orgulhoso com a minha obra.


A mami tirou a cueca, despejou o cocó para o bacio, para eu o ver bem, e pediu-me para eu fazer o resto da força. Como já estava tudo feito, deitámos o cocó para a sanita, dissémos-lhe "bye-bye" e eu puxei o autocolismo tendo-me sido permitido ver como se usa a escova piaçaba, coisa que eu já andava a estudar desde que cá chegámos.

Depois de um lanche conturbado em que fui bastante contrariado porque ninguém ligou à minha birra (que se fundamentava em eu achar que precisava de ajuda para comer o iogurte), voltei a ir ao bacio porque estava na hora da piscina. Ainda apareceu aquela tia intimidante - que se diz avó do bonzinho do Manel - e que hoje se fartou de fazer elogios ao meu físico (eu não digo que ela é perigosa?!), porque me apanhou em pelota…

O jantar foi bastante mais pacífico, mas sem o avô, que foi jantar fora. Eu perguntei por ele várias vezes… Depois disso, brinquei com a mami: estivémos a fazer bolinhas de massa de moldar, que eu guardo religiosamente na casinha dos meus popós, e a pintar os meus livros de actividades, que hoje me levaram a sessões de grande criatividade, não propriamente com os livros, mas mais com os meus pés, onde eu descobri que consigo encaixar 5 ou 6 lápis entre dedos. Foi muito divertido, porque faz muitas cócegas!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

15º dia: a meio das férias

Hoje o avô perguntou-me se eu queria levar para a praia uma bola maior. Claro que a minha resposta foi a que toda a gente esperava e a mami fez logo contas à quantidade de coisas que teria de levar e trazer, porque a ida desta outra bola não significa necessariamente que eu prescinda de qualquer outra bola que já tenha ido para a praia nos outros dias ou de qualquer instrumento necessário às minhas grandes construções. Lá fomos com mais uma bola, de encher, oferecida pel'A Bola.

Joguei à bola com o avô e com a mami até aparecer um menino que, sorrateiramente se foi aproximando de nós até a bola ter ido parar ao pé dele. Sentiu-se imediatamente parte da equipa, deu um grande pontapé na bola na nossa direcção e eu lá lhe devolvi alguns chutos, entusiasmado com aquela nova companhia. Mas o menino, que mais tarde vim a saber chamar-se João Miguel, ter 5 anos e ser de Aveiro, rapidamente percebeu que eu ainda não tinha grande domínio de pé sobre a bola e optou por chutá-la para o meu avô, sempre com alguma força, impossibilitando que eu a apanhasse. Eu não apreciei muito esta táctica de jogo e assim que tive oportunidade agarrei a bola e não o deixei jogar mais.

Ele, apesar disso, parece ter engraçado com tudo o que era meu: a minha bola, o meu avô, depois a minha avó, o nosso toldo, para onde vinha beber água e comer iogurtes e até vinha mergulhar à nossa frente em vez de ir lá para a frente dos papis dele. Eu senti isto como uma invasão, até porque ele tinha uma bola verde bem gira, lá no toldo dele. Mais, chegou ao cúmulo de ir buscar dois popós que tinha, para me vir fazer pirraça e não me deixou sequer pegar num deles. Felizmente, a mami pôs fim à brincadeira levando-me para a areia molhada para fazermos castelos com conchinhas a imitar janelas. O João Miguel ficou a espetar seca à minha avó.

Como está Levante e como a água aqueceu e tem umas ondas maiores do que as que tenho visto por estas bandas, a mami foi ao banho e deu uns grandes mergulhos. Eu quis muito ir com ela e ela lá me levou para as ondas que eram mesmo muito grandes e ela explicou-me que tínhamos de saltar! Tivémos de esperar para entrar e depois para sair do mar. Amanhã, se quiser ir ao banho com ela, tenho de levar o meu fato de banho, já estou informado!

O almoço foram iscas. Acho que não estou ainda preparado para aceitar bem aquela carne rija de sabor amargo. Comi as batatas fritas todas, mas as colheradas de carninha a que fui obrigado foram mesmo porque… olha, porque tinha de provar iscas! Não comi tudo e o avô arranjou-me muita fruta diferente.

Depois da sesta, cuja fralda estava sequinha porque eu praticamente já só faço xixi no bacio, eu e a mami fomos para a piscina. A água estava tão quente que eu tive de submergir aos poucos. Mesmo a mami, que só gosta de água quente, se queixou! Parecia que estávamos dentro de uma sopa, só que em vez de cenouras e couves fresquinhas tínhamos bonecos da Playmobil com 20 anos!

Ainda antes do jantar, a mami presenteou-me com uma latinha de massa de moldar e estivémos os dois a fazer bananas e bolas. À mesa comi tudo sozinho, inclusivé a sopa! Mas a papa estava mesmo boa: peixinho cozido com legumes e um ovo só para mim! No fim ainda pude comer um resto de clara cozida que tinha sobrado e que a mami tinha posto de lado. Portei-me muito bem e ficaram todos muito contentes porque eu nem pedi ajuda.

Só o meu papi é que ainda não chegou. Hoje falei com ele duas vezes: à hora do almoço e depois do jantar e já não me custa tanto como das outras vezes. Já estou mais conformado e como vamos falando muito nele ao longo de todo o dia, eu sei que ele vai chegar. Só não sei é quando…

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

14º dia: disfunção de intestinos

O meu dia de hoje não teve nada de extraordinário a não ser os meus extraordinários cocós.

De manhã, voltámos para a praia dos avós porque a avó tinha combinado encontrar-se com umas amigas, mas eu aborreço-me muito porque não dá para correr nem para jogar à bola, e o Ricardo não é nada brincalhão… Se não fosse o meu avô a cavar túneis!… eu morria de tédio.

Quando acordei da minha sesta, a mami vestiu-me para irmos despedir-nos da avó Ina velhinha que ía regressar para Lisboa, com a tia Nini, aproveitando a boleia do Ricardo. Eu fui muito motivado com a ideia de que haveria mais camiões à minha espera. Quando lá cheguei, dei uns parcos cumprimentos e corri para a sala, à procura de uma caixa ou embrulho, whatever! Como não encontrei, perguntei pela Nini, porque quem nos abriu a porta foi a Guida. A Nini estava a tratar de um gato que por ali apareceu e que ela resolveu adoptar temporariamente, por estes dias. Não havia mais camiões para mim. Aceitei comer um bocadinho de gelado de morango, fui ao quintal e desci as escadas, mas pedi à mami para nos irmos embora porque não havia ali nada para eu fazer.

Quando chegámos a casa, como ainda era cedo, a mami despiu-me para ir até à piscina, mas pôs-me o bacio entre as pernas e pediu-me para fazer força. Havia mais de 24 horas que eu não fazia um cocó. Fiz um xixi piquihino, mas cocó nada. Lá fomos à piscina, mas de sobreaviso. Não havia ainda dois minutos que lá estava quando me levantei muito depressa e disse "cocó" e olhei para o fundo da piscina: estava lá uma medalhinha que eu até já tinha pisado e esborrachado. Como não se desfez, a mami conseguiu tirá-la da água facilmente e a avó trouxe o bacio para a rua. A mami disse-lhe logo que eu ía ter dificuldades porque o meu cocó devia estar muito duro. Assim foi. Enquanto estive na piscina andei sempre dentro e fora, dentro e fora, porque me doía a barriga e eu próprio ía pedindo para me deixarem tentar fazer força no bacio, mas nada! Com o calor que estava a mami estranhou muito eu estar todo arrepiado sempre que vinha ao bacio. Saí da água, secaram-me e puseram-me uma cueca, porque nem precisava de mais nada. Estava mesmo um dia quente!


Voltei logo para a rua andar de triciclo enquanto o Ricardo carregava o carro dele e se preparava para arrancar de viagem. Nisto, cerrei a minha cara, saltei do triciclo, encolhi-me todo e comecei a choramingar. Corri em direcção a casa e fui direito à casa-de-banho. A mami sentou-me na sanita e eu chorei muito, especialmente porque não saíu nada. Voltei a por a cueca. A mami foi buscar o bacio que tinha ficado lá fora, junto à piscina. Quando voltou, eu estava outra vez muito aflito, a tentar abrir a porta da casa de banho, e gritava "cocó" apontando para o chão: tinha feito dois grandes cocós no chão da casa-de-banho e pior do que isso, tinha pisado um deles e eu não gosto nada de ter nem mãos nem pés sujos!

A mami consolou-me muito, disse que não fazia mal e que agora já estava, que o cocó mau que dava dores na barriga já tinha saído. Lavei pés, pernas e rabinho no bidé, vesti nova cueca e voltei ao triciclo… mas lá não cheguei. Torci-me todo novamente, choraminguei muito mais uma vez e a mami e a avó voltaram comigo à casa-de-banho: agora tinha uma mancha de cocó muito mole na cueca. Entre sair e regressar à casa-de-banho e repetir todo o ritual de sentar na sanita ou bacio a fazer força, lavar rabinho, pernas e pés, puxar autocolismo e dizer "bye-bye, cocó!" teremos contado talvez umas seis vezes. Só quando finalmente consegui deixar o meu terceiro grande cocó, que a mami nunca imaginou que eu pudesse fazer depois do tamanho dos outros dois, é que consegui acalmar. Daí para a frente ainda sujei mais uma cueca e uma fralda, com punzinhos do meu novo cocó, agora muito mole, mas já não sofri por causa disso.

Ao jantar, deram-me a sopa na boca para me consolar. E como as lulas tinham muito piri-piri, não comi a papa e o avô arranjou-me muita fruta diferente, entre elas banana, para ver se as texturas e consistências voltam ao normal.

Apesar de tudo, a mami acha que hoje eu provei que já sei que uma dor de barriga significa ir à casa-de-banho e congratula-se por eu ter andado sempre de cueca em vez de andar a assar com cocós escondidos no rabo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

13º dia: sou muito grande!

Mais um dia de férias. Acordei ainda antes das 6:00 e pedi à mami para ela me levar para a cama dela. Daí para a frente, não dormimos bem nem eu nem ela, mas sempre fizémos uma ronha até às 8:00.

Agora, a primeira coisa que fazemos de manhã é irmos os dois à casa-de-banho fazer xixi. O meu foi muito grande e por isso achei que podia puxar o autocolismo duas vezes. Pedi ajuda para acabar os flocos… estava muito estranho, parece que acordei cansado. Depois fui acordar o tio Ricardo para irmos para a praia, pusémos os cremes todos, arrumámos as tralhas todas (que são muitas!!) e lá fomos os três, porque o avô e a avó foram à praça, comprar peixinho.

Hoje esteve muito calor e a mami, que é uma friorenta com a água do mar, passados 15 minutos de praia atirou-se sem sequer avisar. Eu também quis ir e não me arrependi nada! Tomei uma grande banhoca, fartei-me de bater o pé e de atirar a bola ao Ricardo. Depois fizémos castelos e muralhas, até eu ficar chatinho e pedir para ir embora. Claro que nestes dias, alguém tem de carregar comigo e hoje foi a vez da mami porque eu não quis ir às cavalitas do Ricardo.


O duche hoje teve de ser de cabeça e tudo; eu queixo-me um bocadinho mas até já nem me importo muito. A mami diz para eu lhe dar um abracinho, olhar para cima e rir muito e eu, bem mandado que sou, é o que faço, enquanto ela me despeja a água pela cabeça abaixo. Depois do banho a mami fez-me uma grande massagem para me por creme na pele toda, primeiro de barriga para cima e depois de barriga para baixo. Fiquei tão relaxado que me custou dar a volta para me levantar e enfiar as cuecas!

Ao almoço lá me fui safando porque havia caracóis que sobraram de ontem e que eu cobicei de imediato. Depois de muita brincadeira com o avô e alguma com o Ricardo (que passa a vida ao computador ou ao telefone), fui fazer a minha sesta mas antes fiz um grande xixi no penico.

Quando acordei, quatro horas depois e só porque a mami me acordou, tinha a fralda sequinha! Fizeram todos uma grande festa cá em casa. Comi um iogurte na rua, estava já o avô a preparar o fogareiro, e fomos, eu e a mami, para a piscina, dar mergulhos piquihinos. Continuava muito calor e foi um banho muito agradável.

A tia Beatriz, o tio João e o Manel vieram cá jantar e trouxeram um primo (e respectiva companheira) que eu ainda não conhecia: o outro João e a Maria. O Manel trouxe-me mais dois popós, um dos quais é uma betoneira. Jantou à minha frente e eu quis fazer tudo o que ele fez: comi berbigões enquanto ele comeu, provei o pão molhado no molho quando ele provou, bebi o mesmo sumo que ele bebeu e pedia mais quando ele pedia; comi o mesmo peixe que ele e fiquei impaciente porque ele levou mais tempo do que eu a acabar a refeição e eu queria muito que fossemos brincar. Quando acabámos, levei-o para a sala para brincarmos com os meus popós, jogámos à bola na rua, pintámos e desenhámos, e até fomos os dois à casa-de-banho, porque ele foi mostrar-me como é que se faz. Depois disto fui a correr chamar a mami e pedi-lhe para me deixar fazer um xixi na sanita. Sou muito grande, como o Manel!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

12º dia: quase uma directa

Hoje voltámos a ir para uma praia sossegada, mas não para tão longe como ontem. Atravessámos dunas cheias de espinhos e flores do deserto. Fui a pé, mas pedi ajuda para carregar o meu saco dos brinquedos, que é quase da minha altura e os desníveis da areia estavam sempre a deixar-me encalhado.

Mais uma vez, tínhamos a praia só para nós. Eu, o Ricardo e o avô iniciámos a construção de um túnel, a que eu chamo "tiniel". O tio Ricardo goza-me e diz que eu pareço o aviador inglês do Alô-Alô… Sei lá de quem está ele a falar! Calculo que seja de algum dos senhores que conduz os aviões que passam por cima de nós na praia… O tiniel ficou pronto e o camião atravessava-o de um lado ao outro, como era suposto. Marquei-o com uma pena de gaivota para saber onde não se podia pisar.



Todos tomámos banho. Eu estou bastante destemido, por causa dos exercícios a pontapear as ondas e aceitei tomar um banho com o Ricardo, às cavalitas, e outro com a mami, já ao colo e a molhar o rabiosque.


Ao almoço portei-me mal novamente com as histórias da sopa: canto o ABCD várias vezes, tenho doi-dois que fogem da barriga para os pés, dou pontapés nas pernas de quem estiver sentado à minha frente, distraio-me com qualquer coisa que me permita não enfiar uma colher de sopa na boca. A mami desespera e zanga-se comigo! Depois veio a carninha e eu comi tudo muito bem, porque era bolonhesa e havia queijo ralado. Mas fiquei de castigo para o resto do dia no que respeita a gelatina!

Depois de lermos o Cuquedo a mami deixa-me sempre ficar a descansar na cama dela, até eu adormecer. Hoje acordei durante a trasladação para a minha caminha. Despertei tanto que não mais dormi toda a tarde. Lanchei cedo, e fui para a piscina de onde saí e para onde entrei vezes sem conta, até a água ficar cheia de palhuços. O Ricardo veio fazer-nos companhia e deitou-se na relva a apanhar banhos de sol. A mami pôs a minha toalha ao lado da dele e disse-me que eu apanhava banhos de sombra. Estive muito divertido. Também foi igualmente engraçado tirar a água da piscina; eu faço-o com grande afinco e desenvoltura, e desta vez usei um regador a sério!


Ao final da tarde fomos ver a avó Isaura velhinha, a quem só démos um beijinho rápido porque ela ía jantar. Voltámos para casa onde nos esperavam caracóis que eu tinha estado a ajudar o meu avô a confeccionar. Claro que só aceito caracóis extraídos pelo avô Mário que é a autoridade máxima nesta matéria! Como me portei bem, tive direito a sumo, mas gelatina, nada!!!

Como hoje estava mais sensível, foi-me mais difícil falar com o papi pelo ichat. Queria ir ter com ele! A mami deu-me logo o leitinho e levou-me para cima para os rituais habituais. Pedi-lhe para fazer um oh-oh piquihino e ela achou muito bem. Afinal, eu estava quase com uma directa!

domingo, 9 de agosto de 2009

11º dia: dia de aniversário

Hoje acordei antes das 7:00 e a mami, que ainda está a ressacar da noite de anteontem, levou-me a tomar o meu leite com flocos e depois dormiu no sofá enquanto eu via o VaviTiVi e outro canal, de seu nome Jim Jam, que tem uns bonecos muito giros.

A Sofia mandou-nos um SMS às 9:00 a dizer que íam para a praia do molhe de Alvor. Quando a avó e o avô desceram, a mami combinou com eles que hoje, para ser diferente, íamos todos até àquela praia.

Esta praia fica muito longe. Fartámo-nos de andar por montes de areia e a mami ía escandalizada com a paisagem porque antes de eu nascer íam apanhar berbigão para aquela zona e agora tudo aquilo está, diz ela, muito diferente. Quando começámos a ver pedras do molhe procurámos o popó da Sofia e do Zé que estava junto de outros. A mami parou o nosso popó preto ao lado do deles, mas já na areia e teve de, pela primeira vez, usar as redutoras. É giro andar com o popó na areia, baloiça assim suave… Para além de a praia ficar longe, fartámo-nos de andar a pé até chegar ao toldo da Sofia e do Zé, mas vale a pena, porque naquela praia quase não há ninguém. Até pude jogar à bola com o avô, coisa que não tenho podido fazer de maneira nenhuma!


O João e o Diogo estavam a brincar na areia. O João agarrou-se logo ao meu camião e eu não me importei nada. O avô fez um túnel para eu passar o camião, mas descobri que fazer passar por lá a bola é igualmente engraçado. Estivémos todos muito divertidos; a babuja da água é convidativa porque não é inclinada como na praia dos meus avós. Para além disso, não tem o cascalho que a outra tem e que nos dá cabo dos pés, especialmente a quem me leva ao colo para dentro de água.

O almoço foi especialmente penoso. A sopa foi a muito custo, ainda que bem recheada de azeitonas. A cabidela - um desastre! - terei dado três garfadas, sendo que duas eram de batata frita. A mami desistiu e levou-me para cima; fiz um grande xixi no bacio e de seguida fui para a cama, sem sequer barafustar. Eu estava muito cansado da extensa manhã que tive. Adormeci logo, pouco depois das 13:30.

Dormi até às 18:30. Às 19:00, depois de um iogurte, fui para a piscina e lá estive quase durante uma hora; nunca tinha estado na piscina até tão tarde! Depois de me vestir, eu e a mami fomos jogar à bola na relva do avô, a fazer tempo até que o Ricardo chegasse. Quando o Ricardo chegou, sentámo-nos todos à mesa, no terraço, para comer açorda, conchinhas e camarões porque hoje é dia de festa: o avô e a avó fazem 34 anos de casados!



Depois do jantar, levei os brinquedos lá para fora, falei com o papi no ichat e depois convidei o Ricardo para vir até à sala comigo. Ele agora é a minha coquelouche!

sábado, 8 de agosto de 2009

10º dia: mais duas prendas novas

Hoje, quando acordei, a primeira coisa que pedi à mami foi para me ler o Cuquedo, que me falhou ontem à noite. Ela levou-me para a cama dela e lá estivémos os dois a reler aquela história que eu já conheço de cor, mas de que tanto gosto.

Como estava muito vento e frio não fomos à praia, e a mami propôs irmos à Avó Ina. Lá fomos, para o centro de Portimão, com o avô Mário, à casa velha da avó velhinha. A Nini tinha uma prenda à minha espera: um camião do lixo, com contentores para separação ecológica e com pecinhas que são o lixo, nas várias cores dos contentores para eu aprender a separar; tudo em madeira. Ando encantado com este novo camião que serviu todo o dia para a mami "negociar" o meu comportamento à mesa que hoje voltou a ser muito mau, apesar de ter tido à minha frente coisas boas, como batatas fritas, ovo estrelado e sumo!


Depois da sesta e do lanche fomos a casa da Tia Vanessa, levar uma prendinha ao Vasco. Também lá havia uma prendinha à minha espera: um relógio giro, giro! Andei o resto da tarde muito vaidoso com o meu FlikFlak novo e a Vanessa dizia que eu parecia um menino da 4ª classe!


O Vasco é mais piguihino, mas já anda e ainda brincámos os dois um bocadinho com uma bola do Real Madrid. Ele tem muitos brinquedos e eu experimentei-os todos; alguns deles são mesmo iguais aos meus, que eu deixei em Aveiro. Mas voltar para casa dos avós e brincar com o camião do lixo é que foi emocionante!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

9º dia: fim do dia com os avós

O meu dia de hoje não teve nada de muito especial. Leite com flocos, praia, escavações na areia, três cuecas diferentes em 30 minutos, nova garagem em Lego, sesta de quatro horas… Só não fui à piscina porque está um vento muito grande. Em vez disso, a mami levou-me a dar uma volta de triciclo pelo Alto do Quintão, mas no lugar de irmos por dentro como ontem, em que eu me assustei muito com três Rottweilers duma casa ali acima, e onde tínhamos sempre de sair do passeio por causa de popós estacionados em cima do mesmo, fomos por fora, como se fôssemos para a escola da avó Ana.


Bom, a mami acha que afinal não foi o ar assustador e o barulho dos Rottweiler que me assustou, acha que eu virei piegas, com medo de cães, sejam eles quais forem. Isto porque, íamos nós a passar o portão da D. Luzia das bôlas quando esta aparece com o Bolinhas pela trela e outro cão mais alto e veloz, completamente solto. Esse cão correu logo em direcção a mim e eu saltei logo do triciclo em pânico a trepar pelas pernas da mami. Eu acho que a recepção do Beto na 5ª feira passada e a do Taza no outro dia que também me lambiscou todo me transtornaram verdadeiramente. A mami, pegou-me ao colo, o tal cão saltou-lhe às pernas, e a D. Luzia gritava "Fofinha, larga o Vicentezinho!". Afinal, o cão era uma menina como a Anastácia, disse a mami. Eu lembro-me da Anastácia, mas ela não é assim…

Continuámos o nosso passeio sempre pela calçada, mas este lado do Alto do Quintão é muito mais barulhento e tem sempre popós a passar muito depressa. A mami não gostou do passeio e eu também estava a ficar incomodado. Virámos o triciclo e rumámos no sentido inverso, quando de repente pára um popó ao nosso lado que liga os quatro piscas e de onde salta a Tia Beatriz, o Manel e o Gonçalo e a seguir o Tio João. O Manel pediu-me o triciclo para matar saudades e eu emprestei por um bocadinho. O Gonçalo diz que eu sou do Sporting e diz que me vai oferecer um boné. Hmm, eu acho que simpatizo mais com o Gonçalo.

Quando chegámos a casa já era quase hora do jantar. A mami ajudou a avó a preparar o meu jantar, mas ela só comeu sopa. Enquanto eu terminei o polvo, ela foi arranjar-se e quando voltou à cozinha, eu disse-lhe que tinha acabado tudo e que tinha comido uvas. Todos! Ía eu então iniciar a minha incursão pela gelatina, quando a mami me disse que ía comprar uvas para levarmos no dia seguinte para a praia. Bye-bye Vicente!, Bye-bye Mami! E pronto, não a vi mais!

Fiquei com o avô e com a avó. A mami tinha dado todas as indicações e explicado todos os truques e rituais. Só se esqueceu foi de explicar "como é que é com as fraldas". Estávamos nós a brincar com a garagem na sala quando eu fiz um cocó. A minha avó viu as horas e como já eram 9:15 convenceu-se que me levava para cima, me trocava a fralda e me punha a dormir. O que ela não sabia é que eu estava de fralda-cueca e que tinha um graaaaaande cocó no rabo. Ela também não sabia que estas fraldas-cueca se rasgam de lado… Então tentou tirá-la por baixo, como uma cueca, mas o cocó era muito grande, eu não abria as pernas o suficiente, sujei os pés, ela sujou as mãos, eu joguei as mãos ao rabo, o avô teve de vir ajudar, sujou-se a t-shirt e o resguardo e finalmente a cueca saíu. Havia cocó por todo o lado!

Tirando isso, bebi o meu leitinho enquanto a avó inventava uma história porque não conseguiu descobrir o Cuquedo e fiquei, como em todas as outras noites, a tomar conta do Noddy com a luz piquihina acesa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

8º dia: de cueca, sem fralda

Hoje descobri que o cão grande tem nome de santo mas também se chama Calvin. Ainda assim, acho que não é tão grande como o Taza do Senhor Caracol que se empoleira no muro e me espreita sempre que estou na piscina… Adiante! Dei um grande passeio pela praia com o avô: fomos ao encontro da avó que não perde a quilometragem nem por nada. Mas nós andamos mais devagar que ela, que é uma acelerada, e lá voltámos, ao nosso ritmo, aos saltinhos e a dar pontapés nas ondas. Fiquei muito cansado e, ao virmos para casa, a mami teve de me trazer ao colo até ao carro preto.

Tomámos o nosso banho de chuveiro. Pedimos licença à avó para almoçar sem fralda, ainda que com um resguardo sobre a almofada elevatória, não fosse a minha cueca cor-de-laranja falhar-me. Estava eu a papar muito bem as minhas uvas moscatel quando gritei "cocó piquihino!" A mami levantou-me logo para me levar ao bacio, mas afinal o que eu tinha era feito um xixi que me incomodou e que eu anunciei como sendo algo bem maior. Interrompemos o almoço para ir trocar a cueca e vesti uma branca com popós e semáforos. Terminei a fruta e levei o avô para a sala para brincar com um túnel que a mami tinha feito em Lego. Quando fui a correr à cozinha dizer à mami que os popós atravessavam todos o túnel, levava uma forma oblonga e proeminente na parte de trás da minha cueca. Voltámos lá acima para limpar tudo, despejar o autocolismo e por nova cueca, desta vez azul claro. A mami trouxe uns resguardos grandes para por em cima dos arraiolos da avó, sobre os quais foram postos todos os meus brinquedos. Não passaram 10 mn e as minhas cuecas de azul cueca tinham já uma pequena mancha mais escura à frente. Como já não havia mais cuecas e como faltava pouco para irmos ler a história, a mami deixou-me brincar sossegado com o túnel até eu ficar queixoso e com saudades do papi.


Pois… eu hoje tive uma grande saudade do papi, depois de falar com ele ao telefone. Pedi muito para irmos embora, para o popó preto. Chorei e fiquei muito tristonho até a mami me convidar para pintar livros. Papi, quando chega o teu comboio?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

7º dia: sardinhada com os Cruzes

Depois do leite com flocos, eu e a mami fomos os dois para a praia, mas desta vez sozinhos. É que hoje é dia de sardinhada e o avô e a avó foram à praça comprar os peixinhos.

Fomos para uma praia diferente porque a mami queria encontrar a bébé Sofia e a mami dela. Como nós chegámos muito mais cedo, ficámos em zonas diferentes da praia, mas ainda fomos passar um bocado com elas. Havia também um outro bebé, chamado Vicente, que tinha uma piscina com o Mickey desenhado lá no fundo, onde eu arrisquei molhar-me até aos braços.

Estava muito calor e a mami cedo quis regressar à nossa sombra que estava mesmo à beira-mar. Eu fiquei muito sossegadinho a vê-la enquanto ela foi num pé e no outro dar um mergulho. Hoje optei por não ir ao mar porque nesta praia havia umas ondas maiores do que na praia dos meus avós.

Portei-me muito bem ao almoço; mais uma vez a minha sopa era diferente, sem couves compridas, o que muito me agradou. A papa também foi muito do meu agrado, contrariando todas as expectativas: língua de vaca com puré e esparregado! O avô ficou muito contente por eu me ter portado tão bem e brincou muito comigo antes da sesta, mas eu agarro-me a ele com muita força e ele sofre muito porque lhe puxo os pêlos do peito.




Ao jantar recebemos gente: primeiro chegou a Sofia que é prima, com dois meninos de óculos azuis, o Diogo e o João. Eu estranhei muito esta invasão ao estilo de avalanche em direcção aos meus brinquedos e à minha cadeirinha da papa (à qual não tenho ligado nenhuma porque ainda não foi precisa nestas férias). Depois chegaram a tia Guida e a tia Nini que me trouxe dois babetes novos, bem giros, cheios de animais. A avó Ina também vinha; acho muita piada a esta avó, farto-me de perguntar por ela. Só depois chegou o papi dos meninos, um magricela que fala muito baixinho.


Voltei a portar-me bem ao jantar, sentado na minha cadeirinha, cedida pelo João quando este terminou a sua estranha sopa. Eu cá não comi sopa mas fartei-me de pedir mais berbigões, uns bichos bons que vêm dentro de conchinhas. Comi o meu peixinho sozinho e como já estava mais habituado à confusão desta grande família pedi à mami para ir para o chão brincar. Chamei o João para vir para a sala, mas acho que atinei mais com o Diogo, que até me levou à casa-de-banho com ele para eu ver como se faz xixi de pé para a sanita.