
Hoje foi um dia particularmente difícil, com uma manhã de grande sensibilidade, felizmente compreendida por todos. Falta-me o papi e as birrinhas na praia foram seguidas, umas atrás das outras. Depois, acordei da sesta todo baralhado, a perguntar se hoje havia escola e se já era de noite. As parcelas do dia são, ainda, um assunto muito difícil para mim!… Com o entusiasmo de um jantar em casa do Vasco, combinado em cima do joelho, nem quis ir para a piscina. Agarrei-me à prenda que lhe ía dar e assim estive à espera que a mami se aprontasse.
Jantámos os três muito lindos na cozinha. O Vasco despejou o copo de água para dentro do prato e o arroz para o chão. Ele ainda é pequenino e o que queria era ir ver o Noddy. O Gonçalo, é um pisco e depois de dois pedacinhos de carne, deixou-me sozinho à mesa, deliciando-me com uns bifinhos de frango muito bons e com uma rúcula bem regada de azeite. Comi tudo. E enquanto os grandes comeram, fui recorrentemente à mesa pedinchar tostinhas que a mami me dava à troca de um golinho de água. Portei-me muito bem, estive muito bem disposto e toda a gente gostou muito da minha companhia. Ao fim da noite, já o Vasco estava na cama, dava abracinhos ao Gonçalo e brincávamos os dois aos bombeiros, despejando uma água invisível por cima um do outro. Tivémos direito a Smarties que partilhámos com muito preceito. À meia noite, estávamos nós a tentar fazer um puzzle que o Gonçalo me ofereceu, a mami disse-me: "Vicente, temos de ir embora que hoje já é amanhã". Despedi-me de todos e viémos para casa ler uma história nova, também oferecida, mas pelo Vasco. O que eu não percebi foi como é que amanhã, que ainda não aconteceu, já estava a acontecer naquele momento…
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