quarta-feira, 12 de agosto de 2009

14º dia: disfunção de intestinos

O meu dia de hoje não teve nada de extraordinário a não ser os meus extraordinários cocós.

De manhã, voltámos para a praia dos avós porque a avó tinha combinado encontrar-se com umas amigas, mas eu aborreço-me muito porque não dá para correr nem para jogar à bola, e o Ricardo não é nada brincalhão… Se não fosse o meu avô a cavar túneis!… eu morria de tédio.

Quando acordei da minha sesta, a mami vestiu-me para irmos despedir-nos da avó Ina velhinha que ía regressar para Lisboa, com a tia Nini, aproveitando a boleia do Ricardo. Eu fui muito motivado com a ideia de que haveria mais camiões à minha espera. Quando lá cheguei, dei uns parcos cumprimentos e corri para a sala, à procura de uma caixa ou embrulho, whatever! Como não encontrei, perguntei pela Nini, porque quem nos abriu a porta foi a Guida. A Nini estava a tratar de um gato que por ali apareceu e que ela resolveu adoptar temporariamente, por estes dias. Não havia mais camiões para mim. Aceitei comer um bocadinho de gelado de morango, fui ao quintal e desci as escadas, mas pedi à mami para nos irmos embora porque não havia ali nada para eu fazer.

Quando chegámos a casa, como ainda era cedo, a mami despiu-me para ir até à piscina, mas pôs-me o bacio entre as pernas e pediu-me para fazer força. Havia mais de 24 horas que eu não fazia um cocó. Fiz um xixi piquihino, mas cocó nada. Lá fomos à piscina, mas de sobreaviso. Não havia ainda dois minutos que lá estava quando me levantei muito depressa e disse "cocó" e olhei para o fundo da piscina: estava lá uma medalhinha que eu até já tinha pisado e esborrachado. Como não se desfez, a mami conseguiu tirá-la da água facilmente e a avó trouxe o bacio para a rua. A mami disse-lhe logo que eu ía ter dificuldades porque o meu cocó devia estar muito duro. Assim foi. Enquanto estive na piscina andei sempre dentro e fora, dentro e fora, porque me doía a barriga e eu próprio ía pedindo para me deixarem tentar fazer força no bacio, mas nada! Com o calor que estava a mami estranhou muito eu estar todo arrepiado sempre que vinha ao bacio. Saí da água, secaram-me e puseram-me uma cueca, porque nem precisava de mais nada. Estava mesmo um dia quente!


Voltei logo para a rua andar de triciclo enquanto o Ricardo carregava o carro dele e se preparava para arrancar de viagem. Nisto, cerrei a minha cara, saltei do triciclo, encolhi-me todo e comecei a choramingar. Corri em direcção a casa e fui direito à casa-de-banho. A mami sentou-me na sanita e eu chorei muito, especialmente porque não saíu nada. Voltei a por a cueca. A mami foi buscar o bacio que tinha ficado lá fora, junto à piscina. Quando voltou, eu estava outra vez muito aflito, a tentar abrir a porta da casa de banho, e gritava "cocó" apontando para o chão: tinha feito dois grandes cocós no chão da casa-de-banho e pior do que isso, tinha pisado um deles e eu não gosto nada de ter nem mãos nem pés sujos!

A mami consolou-me muito, disse que não fazia mal e que agora já estava, que o cocó mau que dava dores na barriga já tinha saído. Lavei pés, pernas e rabinho no bidé, vesti nova cueca e voltei ao triciclo… mas lá não cheguei. Torci-me todo novamente, choraminguei muito mais uma vez e a mami e a avó voltaram comigo à casa-de-banho: agora tinha uma mancha de cocó muito mole na cueca. Entre sair e regressar à casa-de-banho e repetir todo o ritual de sentar na sanita ou bacio a fazer força, lavar rabinho, pernas e pés, puxar autocolismo e dizer "bye-bye, cocó!" teremos contado talvez umas seis vezes. Só quando finalmente consegui deixar o meu terceiro grande cocó, que a mami nunca imaginou que eu pudesse fazer depois do tamanho dos outros dois, é que consegui acalmar. Daí para a frente ainda sujei mais uma cueca e uma fralda, com punzinhos do meu novo cocó, agora muito mole, mas já não sofri por causa disso.

Ao jantar, deram-me a sopa na boca para me consolar. E como as lulas tinham muito piri-piri, não comi a papa e o avô arranjou-me muita fruta diferente, entre elas banana, para ver se as texturas e consistências voltam ao normal.

Apesar de tudo, a mami acha que hoje eu provei que já sei que uma dor de barriga significa ir à casa-de-banho e congratula-se por eu ter andado sempre de cueca em vez de andar a assar com cocós escondidos no rabo.

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