Passado um bocado, já ao final da manhã, chegou o meu amigo Gonçalo. O papi dele hoje trazia um grande barco, já cheio e tudo! O Gonçalo vestiu o colete dele amarelo e lá foi para o mar, dentro do barco. Eu cobicei a ideia; a mami pos-me o meu colete azul e levou-me à água, mas eu estava com medo de entrar no barco, para junto do Gonçalo - aquilo bandeava muito! Lá me convenci de que a mami ía ali estar ao lado e que o Sérgio também ficava a segurar sempre e entrei, de frente para o Gonçalo, os dois sentados à chinês. Foi um pedacinho muito agradável, mas fiquei com frio muito rapidamente. O Gonçalo também não aguentou muito mais e veio ter comigo. Uma vez secos, brincámos com baldes, regadores e muita água, até que o Sérgio nos deu a ideia de verter a água para dentro do barco, que ali estava mesmo ao lado, na areia. Não podia ter dado melhor sugestão! Para além da água, também nós fomos lá para dentro, cheios de ideias e de trabalhos para executar. Eu até fui ao toldo buscar o camião para também o ensopar dentro do barco.



Mas a mami, que já estava a arrumar as coisas para nos irmos embora, não me deixou molhar o camião e eu, que não gosto de ser contrariado, empenhei-me numa birra daquelas sérias, com guinchos que, segundo a Sara, pareciam os de um porco na matança; atirei-me ao chão, na areia, em claro sinal de protesto. Fiquei muito exaltado e só me calei quando a mami, que se viu aflita para me conseguir vestir, me pegou ao colo para fazermos a travessia de regresso ao carro. O avô e a avó já lá estavam à nossa espera. Reiniciei a birra quando percebi que, na viagem, me íam a ignorar, todos com cara de mau. Pedi a fraldinha e a chupeta e a mami disse que mas dava em casa e que era lá que elas estavam. Chorei e solucei; só consegui ficar tranquilo quando a mami me disse que me dava as duas fraldinhas: a minha e a do Noddy. Em casa comportei-me como se nada se tivesse passado. Ofereci um pouco de resistência à sopa, mas comi muito bem a papa que era frango de churrasco com batata frita e aceitei provar melão dado pela avó, chegando mesmo a confirmar que era bom.
Antes de começar a novela da avó, brinquei aos soninhos com o avô e com a avó no sofá, os três deitados, engalfinhados, comigo por cima de um e de outro, a dar joelhadas na hernia do avô que vai ser operado outra vez.
Quando acordei da minha sesta a mami não estava em casa. A avó diz sempre que ela vai às compras… Não quis que a avó me levantasse da cama e ela deixou-me no quarto a conversar sozinho. Quando a mami chegou eu já estava na sala, mas porque o avô me tinha conseguido arrancar do quarto, ainda que com algum trabalho. Lanchei e fomos visitar a Dindinda e o Romeu, um caniche branco, nervoso, de caracóis no topo da cabeça e a quem eu preferi chamar Robô. Durante a visita pedi para ir À sanita duas vezes. A mami levava-me pela primeira vez para fora de casa e extra praia, sem fralda! Portei-me bem.
Contudo, foi sol de pouca dura. Ao jantar voltei a cantar ABCDs e a querer tudo menos comer. O Ricardo zanga-se muito comigo e eu tenho-lhe muito respeito. Este já percebi que não me atura como os outros. Ele manda-me comer com voz mais alta e cara de pirata, e eu páro os ABCDs e como mais uma colherada, sem pedir ajuda. Mas a mami hoje até se foi embora da sala porque eu estava muito teimoso e indelicado. Quando o papi chamou na janela eu ainda estava a fingir que comia fruta!
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