
Bom, a mami acha que afinal não foi o ar assustador e o barulho dos Rottweiler que me assustou, acha que eu virei piegas, com medo de cães, sejam eles quais forem. Isto porque, íamos nós a passar o portão da D. Luzia das bôlas quando esta aparece com o Bolinhas pela trela e outro cão mais alto e veloz, completamente solto. Esse cão correu logo em direcção a mim e eu saltei logo do triciclo em pânico a trepar pelas pernas da mami. Eu acho que a recepção do Beto na 5ª feira passada e a do Taza no outro dia que também me lambiscou todo me transtornaram verdadeiramente. A mami, pegou-me ao colo, o tal cão saltou-lhe às pernas, e a D. Luzia gritava "Fofinha, larga o Vicentezinho!". Afinal, o cão era uma menina como a Anastácia, disse a mami. Eu lembro-me da Anastácia, mas ela não é assim…
Continuámos o nosso passeio sempre pela calçada, mas este lado do Alto do Quintão é muito mais barulhento e tem sempre popós a passar muito depressa. A mami não gostou do passeio e eu também estava a ficar incomodado. Virámos o triciclo e rumámos no sentido inverso, quando de repente pára um popó ao nosso lado que liga os quatro piscas e de onde salta a Tia Beatriz, o Manel e o Gonçalo e a seguir o Tio João. O Manel pediu-me o triciclo para matar saudades e eu emprestei por um bocadinho. O Gonçalo diz que eu sou do Sporting e diz que me vai oferecer um boné. Hmm, eu acho que simpatizo mais com o Gonçalo.
Quando chegámos a casa já era quase hora do jantar. A mami ajudou a avó a preparar o meu jantar, mas ela só comeu sopa. Enquanto eu terminei o polvo, ela foi arranjar-se e quando voltou à cozinha, eu disse-lhe que tinha acabado tudo e que tinha comido uvas. Todos! Ía eu então iniciar a minha incursão pela gelatina, quando a mami me disse que ía comprar uvas para levarmos no dia seguinte para a praia. Bye-bye Vicente!, Bye-bye Mami! E pronto, não a vi mais!
Fiquei com o avô e com a avó. A mami tinha dado todas as indicações e explicado todos os truques e rituais. Só se esqueceu foi de explicar "como é que é com as fraldas". Estávamos nós a brincar com a garagem na sala quando eu fiz um cocó. A minha avó viu as horas e como já eram 9:15 convenceu-se que me levava para cima, me trocava a fralda e me punha a dormir. O que ela não sabia é que eu estava de fralda-cueca e que tinha um graaaaaande cocó no rabo. Ela também não sabia que estas fraldas-cueca se rasgam de lado… Então tentou tirá-la por baixo, como uma cueca, mas o cocó era muito grande, eu não abria as pernas o suficiente, sujei os pés, ela sujou as mãos, eu joguei as mãos ao rabo, o avô teve de vir ajudar, sujou-se a t-shirt e o resguardo e finalmente a cueca saíu. Havia cocó por todo o lado!
Tirando isso, bebi o meu leitinho enquanto a avó inventava uma história porque não conseguiu descobrir o Cuquedo e fiquei, como em todas as outras noites, a tomar conta do Noddy com a luz piquihina acesa.
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