Depois, fiz duas na praia; uma antes de comer o iogurte e ninguém percebeu o seu porquê, nem mesmo eu… A outra foi à saída da praia, porque não queria limpar a areia do rabinho com a água do mar que agora está um pouco mais fria. Quando chegámos ao carro, depois de uma travessia pelas dunas às cavalitas do avô, fiz outra. Entendi que mais ninguém para além da mami me pode sentar na cadeirinha e estrebuchei ao colo do avô, de tal maneira que quase o desequilibrei. Depois, já instalado dentro do carro, enquanto o resto do pessoal limpava a areia dos pés para também entrar, chorei porque não gosto do pára-sol do pára-brisas estendido e a tapar-me a visibilidade. A avó prontificou-se para o retirar e dobrar, mas eu gritei que tinha de ser a mami.
Na viagem para casa, pedi a chupeta da Adriana, mas já ninguém me liga nenhuma. Não deixo ninguém conversar e começo a chamá-los a todos de seguida e com a voz cada vez mais alta. Chorei e pedi o ABCD. A mami ligou o rádio do carro, pos o ABCD a tocar e eu pedi o AEIOU; a mami que já não estava com paciência para me aturar a tirania, desligou o rádio do carro e eu fui a chorar até casa.
Ao almoço insurgi-me contra a avó que tenta ajudar mas eu nunca quero que ela ajude, gritando-lhe "avó não!", de mão levantada. A mami deu-me uma palmada na mão. O almoço era feijoada de buzinas, mas como os piri-piris do avô são muito fortes, eu não a consegui comer e a mami preparou-me uma omolete, coisa que eu nunca tinha comido e de que gostei muito. Depois de tanta birra, ainda sou recompensado!
Ao acordar chorei porque foi a avó que foi ter comigo ao quarto. Depois de escolher o meu iogurte, chorei e berrei porque queria ajuda para o comer e a mami não ma dá. Levou-me para o quarto e lá estivémos até eu me acalmar. Voltámos à cozinha e eu ameacei uma birra porque entendi que havia de comer o iogurte na sala. Comi o iogurte debaixo de um cerco muito cerrado. A mami estava a ficar mesmo bera.
Depois, fiz uma birra porque queria jogar à bola e a bola estava no carro. A mami já me explicou que aquela bola não pode vir para casa. Chorei até a convencer a ir buscar a bola para jogarmos na rua. Joguei à bola 3 minutos, porque dispersei para os Playmobil da piscina. Ainda me meti com a mangueira e choraminguei aquela palavra de que tanto gosto mas que pronuncio num formato estranho que mais parece "arroz": queria o regador. A mami disse que a rega só é feita quando o avô manda e eu aceitei a explicação, até porque o avô também me tem feito cara feia nos últimos dias…
Antes do jantar, enfureci-me com os meus brinquedos e destruí integralmente a última versão da minha garagem de Lego, feita pelo avô. Não queria comer a sopa, cuspi várias vezes os bagos de arroz que nela encontrei, simulei o vómito, só comi o peixinho porque a avó me distraíu com a boca do peixe que ela tinha no prato dela e comi a nectarina do avô porque a mami lá ía fazendo com o garfo aviõezinhos, pára-pentes e helicópteros avariados.
Depois de eu subir para ir para a cama, o avô fez uma nova versão da garagem, agora num estilo mais pagode chinês e, segundo ele, à prova de sismo.
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