terça-feira, 4 de agosto de 2009

6º dia: muitas caras novas

Hoje já dormi até mais tarde. Acordei bem disposto e aceitei logo a ideia de ir beber leite com flocos. Fomos para a praia, à hora do costume e para o sítio do costume. Passámos por um cão muito grande com nome de santo e eu fiquei muito impressionado com o seu tamanho, especialmente com a dimensão da sua língua, que estava toda de fora. Encontrámos uma carocha que eu, sem querer, enterrei com o pé. Ela voltou ao de cima, na areia, e eu fiquei muito contente e aliviado.

A hora do almoço foi agitada: estou muito preguiçoso e insisto que me hão-de ajudar a comer, simulando de tudo um pouco: sono, enjôo, vómitos, doi-dois nos mais variados sítios. A sopa é cada vez mais pequena e a papa até eram almôndegas de que eu tanto gosto, mas mesmo assim, sou persistente e estico a corda até ao limite. Também ao lanche me portei muito mal. Levei uma hora para comer um iogurte. A mami disse que eu não ía à piscina, mas não surtiu efeito; levou-me para o quarto e pôs-me na cama, mas eu, furioso, alcei a perna e pendurei-me na amurada, pronto para saltar para o lado de fora. Estou já muito alto! A solução foi ficarmos os dois fechados no quarto; a mami conversou comigo e lá me convenceu, a custo, a acabar o iogurte sem ajuda.



Fui para a piscina. Como ainda não tinha feito cocó todo o dia, levei uma fralda posta, não fosse o avô ter um ataque de caspa. A mami enfiou-se na piscina comigo e brincámos os dois até a minha fralda se começar a desfazer lá dentro. Havia flocos brancos de fralda por todo o lado. Lá saí da água outra vez mais cedo que o esperado e, depois de secos e vestidos, fomos coar a piscina, antes que o avô desse com aquele espectáculo.

Estávamos a preparar-nos para pintar um livro quando aparecem os primos Manuel e Gonçalo, com a Tia Beatriz e o Tio João. O Manuel trazia-me um popó que parece uma camioneta e onde eu posso lá por coisas dentro. Inicialmente mostrei-me muito envergonhado, mas passado um bocado já fui andar de triciclo e jogar à bola lá para fora com eles. Desmanchámos a garagem de Lego e o Manuel ofereceu-se para fazer uma nova.

O jantar foi muito animado. Comi muito bem a sopa porque me senti um afortunado: a minha era a única que não tinha umas couves verdes muito compridas que ficam penduradas na colher a respingar sopa para todos os lados. Depois a papa era uma tal de salada russa que não correu muito bem aos meus avós: a maionese que estava no frigorífico estava fora do prazo; a que estava dentro do prazo tinha ficado esquecida fora do frigorífico. A mami disse que comíamos com azeite e foi buscar o galheteiro, uma coisa com dois frascos. Pegou num deles e virou-o para cima da minha papa: só caíram umas gotinhas porque o azeite estava no fim. Enquanto andavam todos no maior alvoroço a re-encher aquele frasco, eu fui bastante mais prático: peguei no outro frasco do galheteiro, que estava cheio e despejei-o para a minha papa, até ter uma salada russa flutuante. A mami quando me viu tão atarefado a resolver o meu problema jogou as mãos à cabeça e disse-me que a papa (que desta vez eu até ía comer de boa-vontade!!) ía toda para o lixo. Claro que a seguir, quando me deram novo prato de papa, eu já não quis comer e encenei as minhas fitas todas, mas só até saltar uma gelatina verde do frigorífico.

Estava eu a comer a minha sobremesa quando entram na cozinha mais uma tia e mais uma prima, de seu nome, respectivamente, Nini e Joana. A tia não interagiu muito comigo, mas a Joana descalçou-se e veio logo brincar comigo. Desmanchei a minha garagem (que o Manuel tinha deixado inacabada) e ajudei a Joana a construir uma nova.

Ainda tive tempo de falar com o papi, primeiro ao telefone e depois no ichat. Mostrei-lhe os brinquedos, novos e velhos, e contei-lhe as minhas muitas tarefas e birras do dia. Quando o papi fechou a janela eu choraminguei e corri para a porta de casa a pedir à mami para irmos para o popó preto, embora. Tenho saudades do meu papi.

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