Depois, eu e a mami empastamo-nos em creme, vestimo-nos todos e lá vamos para a praia, hoje já com muito, mas muito mais gente. Parece que se abriram umas comportas que seguravam uma certa quantidade de pessoas, famintas por férias e por vir para a mesma praia que nós. Felizmente para nós (que teríamos de aturar a avó se tal coisa acontecesse) ainda ninguém se lembrou de estacionar o carro no lugar dos palhuços… Acho que só mesmo os radicais dos meus avós se lembrariam de deixar o carro em tal sítio, quase em cima de uma tampa de saneamento que está a 50 cm do chão.
Hoje fiquei ainda mais para trás e com a pressa de apanhar o avô tropecei na passadeira de madeira e esfolei os joelhos. A mami levou-me logo à água do mar que cura tudo, pois fiquei logo bom, a chamar pelo avô e a perguntar-lhe pelo camião. Hoje o avô e a avó não foram dar o passeio, ficaram a construir a minha piscina de areia. Ainda tentámos ir ao mar, mas a água estava tão fria que o avô saltou logo de lá para fora.
Quando chegamos a casa o habitual é, já percebi, toda a gente ir tomar banho; eu e a mami vamos os dois ao mesmo tempo e tomamos banho de chuveiro. A razão para tal tem a ver com o facto de o barco e os bombeiros estarem agora reservados para a piscina do quintal, logo este banho assume obrigatoriamente uma estrutura diferente, sem brinquedos. É à mesma divertido… mas muito mais rápido!
Depois do almoço chamo o avô para a sala, para vir brincar comigo, até a mami me levar para cima para lavar os dentes, fazer um xixi no bacio e para, na cama grande dela, lermos as histórias novas que os meus avós têm estado a coleccionar para mim. Nos últimos dias, a mami leva-me para a minha cama, no quarto do Ricardo, quando eu adormeço, mas hoje a mami adormeceu antes de mim e eu fiquei na cama grande com ela. Dormi muito menos porque rebolei e a mami acordou ainda a tempo de me apanhar na esquina da cama, em direcção ao chão. Despertámos os dois e já não houve mais nada a fazer. Piscina até espirrar!
Ao final da tarde fomos visitar a avó Isaura, ao Lar. Com ela estava a tia Beatriz (não percebi ainda como é que nos últimos dias ganhei tantos tios, assim, de repente!). A tia Beatriz deve ser parecida com um choque eléctrico. Não é mortífera, mas é perigosa. A avó Isaura, ao contrário, é muito sossegadinha, fala muito baixinho e não sai do lugar. Fui re-apresentado à comunidade, e enquanto as avós e tias punham a conversa em dia, a mami levou-me a passear no jardim do Lar, onde descobri três gatos assustados e onde anunciei ter feito um cocó piquihino, cheio de beldroegas inteiras.
Ao jantar voltei a fazer uma fita daquelas, em que peço ajuda a todos os presentes, começando geralmente pelo elo mais fraco: o avô. A mami foi muito dura desta vez. Para além de me tirar o jipe do Ricardo e o avião do avô, de me levar para a cama, de me dizer que não ía mais à praia, de mandar a avó e o avô embora da cozinha, mostrou-me uma gelatina. Eu tinha de comer tudo sozinho para chegar à gelatina… Foi muito difícil, mas eu consegui porque, quer dizer… gelatina é gelatina!
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